Empregados realizam Dia Nacional de Luta no dia 6 de agosto.

 

A Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa) cobrou um posicionamento do banco sobre mais contratações de empregados em nova negociação da mesa permanente realizada nesta quarta-feira, 22, em Brasília (DF). Até agora, o Conselho Diretor da CAIXA não definiu como será a reposição dos trabalhadores que se desligaram no primeiro semestre por meio do Plano de Apoio à Aposentadoria (PAA).

Na negociação, os representantes da CAIXA alegaram que o banco vai cumprir o que está previsto no Acordo Coletivo de Trabalho 2014/2015, ou seja, a contratação de mais 2 mil empregados até dezembro de 2015. No entanto, ao fixar este número durante a Campanha Nacional do ano passado, não havia perspectiva de realização do PAA, que acarretou a saída de mais de 3 mil trabalhadores.

Em 2014, quando o ACT foi fechado, a CAIXA já havia atingindo a marca de 101 mil empregados, o que significa que o total chegaria a 103 mil no final deste ano. Na prática, porém, aconteceu exatamente o contrário. No último dia 30 de junho, o banco informou no Diário Oficial da União que o seu quadro de pessoal era de 97.975 providos, implicando em uma redução considerável do número de empregados.

Os representantes dos empregados destacaram que é inadmissível que o banco sequer discuta a reposição dos desligamentos ocorridos com o PAA. Levando em conta os dados atuais, a carência já chega a cinco mil trabalhadores, o que tem levado à precarização das condições de trabalho, sobrecarga, cobrança de metas abusivas e inclusive o adoecimento de trabalhadores.

Conforme dados da Pesquisa de Emprego Bancário (PEB), realizada pela Contraf-CUT com apoio do Dieese, divulgados nesta terça-feira, 21, a CAIXA apresentou, nos primeiros seis meses de 2015, a maior redução de pessoal, com o corte de 2.058 postos de trabalho. Esse levantamento é elaborado com base nos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego.

A CEE/Caixa convocou para o dia 6 de agosto o Dia Nacional de Luta por Contratação Urgente na CAIXA. Em Belo Horizonte, o Sindicato promoverá um grande ato, com concentração em frente à agência Tupinambás a partir das 9h. A participação de empregadas e empregados é fundamental para aumentar a pressão sobre a direção do banco para exigir mais contratações.

Não ao GDP

A CEE/Caixa voltou a cobrar, na mesa permanente, o fim do programa Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP). O banco informou que vai manter o programa, mas admitiu a possibilidade de apresentar detalhes sobre o programa para discutir com os trabalhadores.

Para as entidades representativas dos empregados, o GDP representa uma ameaça a conquistas históricas como a PLR Social e a promoção por mérito. O programa estipula contrato individual entre o trabalhador e sua chefia e impõe acordo, no qual ele deve se comprometer com metas a serem cumpridas em determinado período. Desde que surgiu, o programa está sendo implantado em ciclos e a meta é atingir todos os empregados até 2016.

Outros pontos

Também foi debatido o Processo de Seleção Interna por Competência (PSIC). Em ofício enviado à CAIXA no dia 22 de junho, a Contraf-CUT reivindicou a criação de um comitê paritário para acompanhar e sugerir melhorias no PSIC para formação de banco de habilitados, após receberem denúncias sobre problemas na aplicação das provas, em abril deste ano. O banco rejeitou a reivindicação das entidades.

Os trabalhadores reforçaram, na mesa de negociações, que não concordam com o posicionamento da CAIXA. Porém, os representantes do banco alegaram, mais uma vez, que as reclamações que chegaram ao conhecimento direção estão dentro da normalidade e que o processo pode passar por aprimoramento, mas mantiveram a posição de não criação do comitê paritário.

Os representantes dos bancários reivindicaram que seja suspensa a trava de seis meses, para garantir que todos os empregados, independentemente de estar no banco de habilitados, possam fazer o PSIC. A CAIXA ficou de avaliar o pleito.

Foi exigido, ainda, que seja revisto o corte de ponto dos empregados que participaram das mobilizações nacionais ocorridas no dia 27 de fevereiro (Dia Nacional de Luta pela Caixa 100% Pública), 15 de abril e 29 de maio (Dia Nacional de Paralisação contra o PL 4330 da Terceirização, MPs 664 e 665 e o ajuste fiscal).

Para a representação dos trabalhadores, o posicionamento do banco representa uma prática antissindical ao penalizar quem participou de mobilizações em defesa de direitos. Além de cortar o ponto, o banco classificou como falta não justificada, o que traz reflexos na carreira dos empregados. As representações dos trabalhadores alegaram que se a medida for mantida, poderão recorrer à Justiça. A CAIXA ficou de avaliar o assunto.

Outro ponto sem avanço foi a valorização dos profissionais da TI. Os representantes do banco reiteraram a resposta encaminhada à CEE/Caixa, por meio de ofício, com a indicação de que a CAIXA não pretende cumprir o compromisso assumido no fechamento da Campanha Nacional do ano passado no que diz respeito à valorização dos empregados da área.

Esteve em pauta, também, a visita feita por técnicos da CAIXA e do Sindicato dos Bancários do Pará à agência Barco Ilha de Marajó. Essa inspeção aconteceu entre os dias 7 e 9 de julho, em atendimento à solicitação feita na mesa permanente, ocorrida em 26 de maio, com o objetivo de verificar as condições de trabalho naquela unidade. Os representantes da CAIXA alegaram que ainda não receberam o relatório final da visita e que, na próxima negociação, devem apresentar as medidas que serão tomadas para solucionar os problemas encontrados.

Ao ser questionada sobre o retorno do adiantamento odontológico, a CAIXA informou que ainda não tem previsão de quando isso ocorrerá. O benefício foi suspenso por conta de uma troca de sistema que visa aperfeiçoar o atendimento aos empregados.

Ainda, com relação à saúde, os membros da CEE/Caixa denunciaram as dificuldades que os trabalhadores estão enfrentando para validar atestados médicos. A CAIXA informou que vai apurar as denúncias.

Na negociação, foi abordada também a Licença de Interesse Pessoal (LIP). A CAIXA estava deixando de repor a vaga do empregado licenciado para assegurar que, ao voltar, ele possa assumir posto na unidade de origem. Os trabalhadores são contra esse encaminhamento e, na negociação, argumentaram que ao não fazer a reposição o banco dificulta o acesso ao LIP nas unidades que sofrem com carência de pessoal, porque os gestores não autorizam a liberação do empregado. A empresa informou que vai analisar a reivindicação.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Fenae Net

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