Vicente Mendonça

 

As concessões de auxílio-doença por transtornos de ansiedade cresceram 17% em quatro anos – de 22,6 mil, em 2012, para 26,5 mil, em 2016, segundo dados da Secretaria de Previdência. No período, a União pagou R$ 1,3 bilhão aos usuários afastados do trabalho.

Duas em cada dez pessoas são afastadas do trabalho por medo do futuro, palpitações, insônia, falta de ar, sensação de paralisia, sintomas de ansiedade. A doença já é a segunda maior causa de afastamentos por transtornos mentais e comportamentais, categoria que também abrange depressão, esquizofrenia e problemas relacionados ao uso de drogas. Fica atrás apenas da depressão, que responde por três em cada dez concessões do benefício.

Especialistas apontam a crise econômica entre os fatores para o aumento dos afastamentos por ansiedade.

Setor bancário

O transtorno mental é uma das principais causas de afastamentos do trabalho no setor bancário, superando os casos de LER/Dort, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base em informações do INSS. Em 2013, foram 5.042 afastamentos por transtornos mentais e comportamentais, totalizando 27% do total de afastamentos. Doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo somam 4.589 casos e representam 24,6% das causas de afastamentos.

Os dados apontam que as condições de trabalho, principalmente nas agências bancárias, são fatores de risco para a saúde dos funcionários. A manipulação de grandes quantias de recursos por muitas horas também é uma das causas de estafa dos trabalhadores e um dos motivos que levou à redução da jornada da categoria para seis horas e à proibição da abertura dos bancos aos sábados. Um projeto que tramita no Senado visa acabar com a proibição do trabalho aos sábados (leia mais sobre o assunto).

A proporção dos casos de transtornos mentais entre os bancários é muito maior do que entre trabalhadores de outros setores no Brasil, devido à pressão e ao assédio moral que sofrem pelo cumprimento de metas. Muitas vezes, os bancários somente conseguem afastamento após recorrer à Justiça para comprovar que o quadro tinha ligação com o trabalho.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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