A CAIXA iniciou, nesta semana, a ampliação do programa Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP) para todos os empregados. A medida, que está prevista na mais recente versão do normativo RH 205, publicada em julho, atinge a totalidade dos trabalhadores que tenham concluído o período de contrato de experiência e que não estejam cedidos, requisitados ou liberados.

Entre os vários pontos previstos no normativo e considerados inadmissíveis e inegociáveis pelas entidades representativas, está a assinatura de acordo individual entre o bancário e o banco. Outro absurdo é a classificação do desempenho do empregado em incipiente, emergente (quatro níveis), eficaz, superior em estilo, superior em resultado ou excepcional, de acordo com o cumprimento de metas.

Para as entidades representativas dos empregados, a ampliação do GDP é mais uma medida do projeto de desmonte da CAIXA. As mudanças enfraquecem os trabalhadores, que enfrentam mais dificuldades no dia a dia. Se, no final de 2014, o banco contava com 101 mil empregados, hoje este número é de cerca de 90 mil. Após a conclusão de mais um plano de desligamento (PDVE), a expectativa é que o número caia ainda mais, para 87 mil.

As entidades denunciam que a implantação do GDP afronta todos os princípios coletivos da relação de trabalho. A ampliação combina mecanismos perversos de ascensão/descenso na carreira com a redução de pessoal, o que torna os ambientes cada vez mais hostis, com mais sobrecarga de trabalho, mais pressão, assédio moral e adoecimento.

Uma das maiores atrocidades do GDP está sendo cometida contra os avaliadores de penhor, que são obrigados a aumentar o número de contratos. O penhor é um produto tradicional da CAIXA, mas é impossível para os trabalhadores venderem o mesmo no mercado, de “porta em porta”. Este é um papel da CAIXA, que pode buscar clientes por meio dos bilhões que investe em propaganda.

Histórico

A implantação do GDP começou em 2015, sem qualquer discussão com os representantes dos empregados. Em maio daquele ano, Contraf-CUT e Fenae iniciaram uma ampla campanha de conscientização e mobilização contra o programa. Na ocasião, foram divulgadas uma nota de repúdio das entidades e uma cartilha. Esta última publicação foi impressa e enviada para todos os trabalhadores do banco.

De lá para cá, o GDP foi tema de diversas reuniões da mesa permanente de negociações. Apesar da pressão das entidades sindicais e do movimento associativo, a CAIXA manteve a intransigência.

No ACT 2015-2016, a luta dos empregados conquistou a suspensão do programa. Porém, a direção do banco sempre se recusou a revogá-lo, já planejando sua retomada, o que está ocorrendo agora.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Fenae

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