A CAIXA obteve Lucro Líquido de R$ 6,65 bilhões no 1º semestre de 2018, crescimento de 63,3% na comparação com o mesmo período de 2017 e de 8,6% em relação ao primeiro trimestre do ano. É o melhor resultado do banco em toda a história.

“Com um resultado destes, é um absurdo a CAIXA ter apresentado proposta de redução e retirada de direitos dos trabalhadores na mesa de negociação. Além de fazer o resultado cobrado pelo banco, os empregados realizaram trabalho extraordinário no atendimento à população para pagamento do PIS e do FGTS decretados pelo governo”, disse o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da CAIXA, Dionísio Reis, lembrando que, na mesa de negociações o banco vem ameaçando a sustentabilidade do Saúde Caixa, a não pagar a PLR Social e outros direitos estabelecidos no Acordo Coletivo de Trabalho específico.

Dionísio explicou que a CAIXA alterou o método de cobrança dos empregados e estipulou uma meta de R$ 9 bilhões de lucro no ano. “Mesmo desempenhando tarefa extraordinária, o trabalho dos empregados deu resultado, mesmo neste novo método de cobrança”, ressaltou. “A CAIXA precisa reconhecer o esforço de seus empregados e colocar uma proposta decente já na próxima mesa de negociação que acontece nesta terça-feira, 21”, completou.

Sobrecarga de trabalho

Segundo análise feita pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base no Relatório de Administração da CAIXA, três fatores influenciaram diretamente o resultado.

Um destes fatores foi a redução das despesas administrativas, em especial as despesas com pessoal, com redução de 7,5%. Em 12 meses, a CAIXA fechou 3.777 postos de trabalho através de Plano de Apoio à Aposentadoria (PAA) e do Programa de Desligamento Voluntário Extraordinário (PDVE). O banco encerrou o primeiro semestre com 86.424 empregados. Desde 2010, ano em que contava com um contingente de 83.105 empregados, a CAIXA não tinha registrado um número tão baixo em seu quadro.

Com isso, os empregados ficaram ainda mais sobrecarregados. Houve ainda fechamento de agências e aumento no número de clientes. A consequência é a piora do atendimento à população.

Em um ano, o banco fechou 66 agências/postos de atendimento e viu sua carteira de clientes aumentar em 4,5 milhões.

Exploração dos clientes

Mesmo com a redução no número de empregados e postos de atendimento, a arrecadação da CAIXA com prestação de serviços e tarifas bancárias aumentou em 6,5% no 1º semestre de 2018, totalizando R$ 13 bilhões.

Segundo a gestão do banco, esse resultado foi influenciado pelas receitas de conta corrente, cartões e administração de fundos de investimento. Assim, o índice de cobertura das despesas de pessoal com a arrecadação secundária de receitas ficou em 119,6%, elevação de 12,6 pontos percentuais 12 meses.

Em sua análise, o Dieese observou que, na prática, trata-se da “busca por uma rentabilidade cada vez maior em detrimento do papel social (do banco) e isso, através do abandono da premissa antes adotada de manter-se como ‘o banco das menores taxas’”.

O coordenador da CCE/Caixa corrobora com essa análise. Para ele, a CAIXA tem que crescer, mas lucratividade não significa necessariamente crescimento do banco público. “A CAIXA tem que crescer para o país crescer, na medida que o país crescer. O banco público tem que contribuir com esse crescimento. Não é isso o que estamos vendo”, afirmou Dionísio.

Confira aqui a íntegra da análise do Dieese.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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