A negociação desta terça-feira, 18, com a Fenaban, a sexta rodada da Campanha Nacional dos Bancários 2020, começou muito mal: a Federação Nacional dos Bancos apresentou uma proposta que pode reduzir em até 48% a PLR dos bancários (veja quadro abaixo com os percentuais de redução por faixas salariais e por bancos). O Comando Nacional dos Bancários, que representa a categoria nas negociações com a Fenaban, rejeitou a proposta na mesa e deixou claro que a categoria não aceitará esse retrocesso.

O presidente do Sindicato, Ramon Peres, destacou que a proposta é um desrespeito aos bancários e bancárias. “Sabendo que nossa PLR será menor neste ano, devido à queda dos lucros causada principalmente pelas provisões para devedores duvidosos, a Fenaban quer reduzir ainda mais a Participação nos Lucros e Resultados, chegando a patamares de 1995. Isto significa diminuir duas vezes a PLR da categoria, uma proposta absurda e inaceitável vinda do setor mais lucrativo da economia”, afirmou.

Em linhas gerais, a proposta da Fenaban é reduzir a regra básica da PLR anual para: 72% do salário + Fixo de R$ 1.965,83, com limite individual de R$ 10.545,74 (desde que não ultrapasse 12,8% do lucro líquido do exercício). Hoje é: 90% do salário + Fixo de R$ 2.457,29, com limite individual de R$ 13.182,18, e desde que não ultrapasse 12,8% do lucro líquido do exercício.

Os bancos propõem também reduzir a parcela adicional para: 2% do lucro líquido do exercício dividido pelo número de empregados elegíveis, com limite individual de R$ 3.931,67. Hoje é: 2,2% do lucro líquido do exercício dividido pelo número de empregados elegíveis, com limite individual de R$ 4.914,59.

Veja quadro abaixo comparando a regra atual com a proposta da Fenaban:

Segundo cálculos do Dieese, com a proposta da Fenaban, o percentual do salário da regra básica retornaria ao patamar de 1995; o percentual da parcela adicional retornaria ao patamar de 2012. Já os valores fixos da regra básica e parcela adicional teriam redução de 20%, retornando ao patamar entre 2014 e 2015. O acelerador da regra básica retornaria ao patamar de 2007.

A Fenaban propõe, ainda, que a CCT preveja a compensação dos valores pagos como PLR dos programas próprios dos bancos. Hoje, a CCT prevê que isso “pode” ocorrer, mas os bancos querem que a CCT determine o desconto. Isto significa que, além da redução dos valores da PLR, os bancos ainda querem que, desses valores, sejam descontados os valores pagos como programas próprios. Ou seja, o montante aos bancários seria ainda menor.

Veja a redução por faixas salariais nos três maiores bancos privados (Itaú, Bradesco e Santander):

Proposta geral na mesa de quinta-feira, 20 de agosto

O Comando dos Bancários cobrou uma proposta geral da Fenaban na próxima mesa, que será realizada na quinta-feira, 20, já que nesta terça 18, a única proposta apresentada foi a de redução da PLR.

A categoria tem outras reivindicações para as cláusulas econômicas da CCT, como o aumento real de 5%, vale refeição e cesta alimentação maiores. Além disso, temas importantes como emprego, saúde, segurança, cláusulas sociais e igualdade de oportunidades integram a minuta, além da regulamentação do teletrabalho.

Após a cobrança, os bancos se comprometeram em apresentar uma proposta global.

Setor mais lucrativo da economia não pode reduzir PLR

No primeiro semestre de 2020, os lucros dos bancos apresentaram redução por causa do aumento das provisões para calotes, as chamadas PDDs (provisões para devedores duvidosos). Em outro caso, os lucros seriam ainda maiores.

No primeiro semestre, os quatro maiores bancos – Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil – tiveram lucro de R$ 28,5 bilhões (a CAIXA ainda não divulgou seu balanço), o que não é nada desprezível, especialmente neste momento de pandemia e crise financeira no país e no mundo.

Em 2019, os lucros somados dos cinco maiores bancos alcançaram R$ 108 bilhões, um crescimento de mais de 30% em relação a 2018. E a economia já estava em crise.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com SP Bancários

 

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