A votação da proposta que altera o estatuto da CAIXA, que estava prevista para ocorrer na tarde desta quarta-feira, 18 de outubro, durante reunião do Conselho de Administração (CA) do banco, foi adiada. O recuo é positivo e é fruto da mobilização dos empregados, que têm participado ativamente das ações promovidas pelas entidades associativas e sindicatos por todo o país.

De acordo com Rita Serrano, representante dos empregados no CA da CAIXA, há várias alterações polêmicas propostas para o estatuto. Entre elas, mudanças que interferem no direito dos trabalhadores, além de uma transformação substancial, fazendo com que a instituição se torne sociedade anônima – S/A.

“Entreguei um documento ao Conselho questionando o cunho jurídico das alterações e os prejuízos que a mudança, caso aprovada, trará à CAIXA e ao desenvolvimento do Brasil, inclusive divulgando antecipadamente meu voto contrário. Agora, temos que ampliar nossa ação, cobrando o apoio de mais parlamentares para a nossa luta, além de prefeitos, movimentos e demais entidades, já que o assunto deverá retornar à pauta do CA no próximo mês. Ganhamos mais uma batalha, mas a luta prossegue”, afirmou Rita.

Está claro que o objetivo do governo ao tornar a CAIXA uma empresa S/A cumpre a função de facilitar, em um futuro próximo, a abertura de capital do banco. A consequência imediata seria a perda do papel da CAIXA de gestora dos mais importantes programas sociais do país, que tendem a diminuir ou mesmo desaparecer, já que o único interesse dos acionistas é o lucro e eles não têm compromisso com a população e nem com a melhoria das condições sociais.

Rita Serrano ressaltou que a alegação do governo para a alteração seria a melhoria nas regras de governança, mas, segundo a representante dos empregados no CA, a CAIXA já cumpre regras de governança e é supervisionada e fiscalizada por mais de 15 órgãos diferentes, além de contar com auditória interna e externa.

Segundo Rita, no último período, por conta de denúncias contra seus dirigentes, o CA também decidiu contratar uma empresa de investigação forense. “O que vai impedir a ocorrência de má gestão ou casos de corrupção não é a entrada nas regras da bolsa de valores, pois se fosse assim isso não aconteceria em empresas como a JBS ou o BB, por exemplo. A verdade é que governo Temer quer entregar o patrimônio público para o capital privado em troca da manutenção do seu mandato e, sendo assim, age com pressa. Mas a CAIXA é um banco que está à frente do desenvolvimento do Brasil, e precisa continuar assim”, concluiu.

A presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, enfatizou a necessidade de intensificar a mobilização e a importância da participação dos empregados nas atividades promovidas pelas entidades representativas dos trabalhadores. “Os empregados da CAIXA estão de parabéns. A participação de todas e todos nas atividades promovidas pelo Sindicato demonstra que os trabalhadores estão conscientes de que somente a união de todos poderá barrar esses ataques contra o patrimônio do povo brasileiro. Vamos continuar mostrando para a sociedade que a CAIXA tem que ser 100% pública para que continue cumprindo a sua função social, que é fundamental para o desenvolvimento do país. É preciso reconhecer também a luta da companheira Rita Serrano que, eleita legitimamente pelos empregados, não tem medido esforços para defender o interesse dos trabalhadores, da CAIXA e dos brasileiros”, afirmou.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Fenae

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