Apesar de ter muito o que explicar sobre gestão temerária na estrutura do maior banco público da América Latina, o presidente da CAIXA, Pedro Guimarães, se negou a comparecer nesta terça-feira, 9, a uma audiência pública na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara Federal. O objetivo da audiência seria cobrar a prestação de contas das ações de desmonte que miram o enfraquecimento da instituição e do seu relevante papel no desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Devido à ausência injustificada do atual gestor do banco, a audiência pública foi cancelada pela deputada Érika Kokay (PT/DF), que propôs o debate. Se tivesse comparecido, conforme ficou estabelecido em acordo prévio entre a Câmara e a equipe do governo Jair Bolsonaro, Pedro Guimarães seria ouvido sobre assuntos como: a privatização das loterias, a retirada do banco do Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), a dispensa de empregados por meio do Plano de Desligamento Voluntário (PDV), a manobra contábil para cobrir perdas esperadas com calotes na carteira de financiamento imobiliário, a desvalorização de imóveis retomados em operações administrativas, a nomeação de personal trainer para o cargo de consultor e a contratação, para a Vice-Presidência de Recursos de Terceiros, de uma profissional sem as certificações técnicas para atuar na Comissão de Valores Imobiliários (CVM), entre outras medidas polêmicas.

Kokay foi incisiva na crítica à recusa do atual presidente da CAIXA de participar do debate na Câmara. “Não dá para aceitar tamanho desrespeito ao parlamento brasileiro, notadamente pela forma como tudo aconteceu. Foi feito um acordo para o Pedro Guimarães vir aqui oferecer respostas aos questionamentos que seriam feitos em relação às políticas de enfraquecimento do banco”, declarou a parlamentar.

Inicialmente, segundo ela, a convocação mirava o ministro da Economia, Paulo Guedes. Por sugestão do próprio governo, a convocatória mudou para convite. No entanto, no lugar do principal ministro da equipe econômica do governo, o acordo previa a ida do presidente da CAIXA, a quem coube sugerir a data de 9 de julho para a audiência pública.

Érika Kokay deixou claro que a Câmara foi desrespeitada pelo presidente do banco público. A parlamentar contestou ainda o fato de que, em nenhum momento, o atual gestor do banco apresentou qualquer proposta a respeito do horário da reunião, se pela manhã ou à tarde, apesar de ter sido consultado reiteradas vezes acerca do assunto.

Feita a negociação, ficou acertado que a audiência seria realizada na manhã desta terça-feira, 9 de julho, justamente na data sugerida pela presidência da instituição. Mesmo assim, o presidente do banco não compareceu e mandou, para substituí-lo, alguns auxiliares, não apresentando justificativa plausível para a desfeita. A situação foi considerada lamentável pelos parlamentares que integram a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, dado que é o presidente – no caso Pedro Guimarães, nomeado pelo ministro da Economia – quem de fato representa a CAIXA em eventos públicos e oficiais.

“Se não existe valorização do Poder Legislativo, que está sendo desrespeitado pelo presidente da CAIXA, quem irá fazer isto? Nada está sendo feito fora da regra. A Câmara tem representação política e isso precisa ser levado em conta”, questionou o deputado Bohn Gass (PT/RS), presente à audiência. Ele lamentou o que ocorreu.

Diante do impasse, a Comissão de Trabalho decidiu cancelar oficialmente a reunião. Na condição de autora do requerimento, Kokay explicou que irá remeter ao Ministério do Trabalho e ao Tribunal de Contas da União (TCU) uma nova representação contra o processo de reestruturação na CAIXA.

O presidente do banco também será alvo de novo requerimento para comparecer a uma audiência na Câmara, em data a ser previamente agendada, para assim prestar os esclarecimentos devidos acerca do desmonte da instituição. Dessa vez, o objetivo é convocá-lo e não mais apenas fazer um convite, o que o obrigará a participar da reunião.

Protesto das entidades representativas

O presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Jair Pedro Ferreira, protestou contra o fato de o atual gestor do banco ter perdido a oportunidade de esclarecer as muitas dúvidas da sociedade e dos empregados da CAIXA sobre a reestruturação proposta por sua gestão. “É grave, para o desenvolvimento social e econômico do país, quando ocorre um processo de desmonte em um banco da importância da CAIXA, a recusa do presidente da instituição em comparecer a um debate público com parlamentares”, afirmou.

Para o presidente da Fenae, a população e os trabalhadores precisam ser esclarecidos, urgentemente, sobre o papel que a atual gestão do banco público imagina para a CAIXA. “E a audiência na Câmara, infelizmente cancelada por causa da negativa de Pedro Guimarães em comparecer, era o palco institucional adequado para que esses esclarecimentos fossem feitos”, concluiu Jair Ferreira.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Fenae

 

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