Foto: Fenae

Nenhum direito a menos. Este foi o recado que os representantes dos empregados deram à CAIXA durante negociação realizada nesta sexta-feira, 7, em Brasília. Os trabalhadores protestaram veementemente contra os valores da segunda parcela da PLR pagos no dia 31 de março e contra a prática antissindical do banco ao apontar a greve nacional de 2016 como uma das causas da queda nos lucros. Foi exigido também mais transparência e respeito à categoria. A presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, que integra a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), participou da negociação.

Na segunda reunião da mesa permanente de 2017, a Comissão Executiva dos Empregados cobrou da empresa esclarecimentos sobre o que considera “erro grotesco e inexplicável” de projeção dos lucros no exercício de 2016. Conforme os números divulgados pelo presidente do banco, Gilberto Occhi, em 28 de março, a CAIXA apresentou lucro líquido de R$ 4,1 bilhões no ano passado, o que representou uma queda de 41,8% em relação a 2015. Em setembro de 2016, foi projetado lucro anual de R$ 6,7 bilhões, o que serviu de base para calcular a antecipação da PLR e gerou toda uma expectativa entre os empregados.

A CEE/Caixa avaliou o balanço e verificou que o lucro aquém do esperado não tem relação com o resultado operacional do banco que, comparado ao de 2015, teve crescimento na ordem de 271,7%. Por isso, a representação dos empregados defendeu o reconhecimento e valorização do trabalho dos bancários da CAIXA, principais responsáveis por esse desempenho.

Os representantes dos empregados reivindicaram que a CAIXA reveja os valores da segunda parcela da PLR e faça uma nova distribuição com base no lucro recorrente, que foi de R$ 4,967 bilhões. Com isso, amplia-se a margem para pagamento tanto na regra básica quanto na parcela adicional e da PLR social, o que representaria, para a maioria dos empregados, um ganho a mais de 20% em relação ao valor que receberam no dia 31 de março. Diversos bancos já realizaram o pagamento nestes moldes, que segue os parâmetros do acordo coletivo.

Segundo simulações feitas pelo Dieese, tendo por base o lucro recorrente, o empregado com remuneração de R$ 2.748,00, receberia R$ 1.108,10 a mais de PLR. Já quem recebe R$ 5 mil teria direito à diferença de R$ 1.350,11. Para os trabalhadores com remuneração de R$ 9.333, 81, a diferença a receber seria de R$ 1.815,84. Os representantes da CAIXA se comprometerem a encaminhar o pleito à direção.

Desmonte

A CEE/Caixa repudiou, na mesa de negociação, o processo de desmonte da CAIXA e os ataques aos direitos dos trabalhadores. Os representantes dos empregados cobraram do banco informações sobre o fechamento e a fusão de agências, que foram anunciados pelo presidente Gilberto Occhi na semana passada.

Os representantes da CAIXA alegaram que não têm conhecimento de quais unidades e que critérios serão usados para fechá-las. Mais uma vez, ficou clara a falta de transparência da atual direção do banco.

Foram cobrados esclarecimentos também sobre a reestruturação. O argumento da CAIXA é que não foi iniciada uma nova onda e que estão sendo feitas adequações em algumas filiais. Pressionado, o banco ficou de repassar mais detalhes sobre o processo.

A CEE/Caixa questionou sobre o pagamento de horas extras aos trabalhadores das agências que estão abrindo duas horas mais cedo ou que vão abrir aos sábados por causa das contas inativas do FGTS. O banco não vem pagando o adicional de hora de extra de 100%. A Comissão Executiva vai acrescentar a irregularidade à denúncia que já existe no Ministério Público do Trabalho.

Os trabalhadores reivindicaram que seja revista a convocação de empregados para trabalharem aos sábados no autoatendimento de agências que não irão abrir. Na avaliação da CEE, isso representa uma ameaça à segurança dos trabalhadores e dos próprios clientes. A CAIXA rejeitou a reivindicação.

Os representantes dos empregados defenderam, ainda, a retomada urgente das contratações. Os problemas nas agências de todo o país se agravaram com a liberação dos saques das contas inativas do FGTS. A posição da empresa foi de total intransigência: não haverá novas contratações, nem mesmo para repor os empregados que estão saindo no Programa de Desligamento Voluntário Extraordinário (PDVE).

Conforme a CAIXA, 4.519 trabalhadores aderiram ao programa, mas o banco não tem o número exato de desligamentos porque as demissões ainda estão sendo homologadas. A CAIXA confirmou também que aceitou novas adesões fora do prazo, mais precisamente até o dia 31 de março, data- limite para desligamento.

“Continuaremos pressionando a CAIXA por mais contratações e, agora, temos que intensificar a luta contra as terceirizações. Mesmo com a sanção ao projeto da terceirização irrestrita, seguiremos lutando junto aos parlamentares de oposição e em todas as instâncias possíveis. Nos anos de 1980, metade dos trabalhadores da CAIXA eram terceirizados. Foi com muita luta que chegamos a mais de 100 mil contratados diretos em 2014, com a política de fortalecimento do banco nos governos Lula e Dilma. Por isso, temos que resistir para impedir retrocessos”, afirmou a presidenta do Sindicato, Eliana Brasil.

Saúde Caixa

Na reunião desta sexta-feira, os representantes da CAIXA propuseram discutir com os representantes dos trabalhadores o provisionamento que o banco tem de fazer, por exigência do Banco Central, para cobrar despesas futuras com o plano de saúde, para fortalecer a base de capital da instituição.

A discussão sobre o Saúde Caixa é uma reivindicação constante dos trabalhadores, porém a CAIXA nega informações e participação na gestão. Pelos dados apresentados até agora, o plano é superavitário pelo menos até 2020.

Os representantes dos empregados cobram a realização de um debate sobre a sustentabilidade do plano com dados reais e atuais. A CAIXA tem uma questão financeira em seu balanço, com uma exigência absurda feita pelo Bacen de provisionamento de valores, que não tem relação com o custo assistencial. Por isso, os trabalhadores exigem que o banco, antes de ameaçar os empregados com a elevação dos custos, negocie com o governo.

Descomissionamento arbitrário

A CAIXA informou que, até o dia 24 de abril, vai divulgar o normativo com as novas regras para descomissionamento, que foram definidas pelo grupo de trabalho paritário e homologada na mesa de negociação, no dia 24 de janeiro. Será divulgada também a cartilha com orientações aos empregados.

PSI

Os processos seletivos internos serão retomados até o final deste mês. Segundo a CAIXA, os PSIs foram suspensos em razão de estudos de redimensionamento.

Avaliador de Penhor

A pedido da CEE, a CAIXA prorrogou, até 24 de maio, o prazo para conclusão da pesquisa que as entidades sindicais estão fazendo sobre as condições de trabalho dos avaliadores de penhor. Com isso, o pagamento do adicional fica mantido até lá.

Mobilização

A presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, ressaltou que a mobilização contra a retirada de direitos será a resposta dos trabalhadores. “O que sentimos na mesa de negociação é que a CAIXA segue a política do governo ilegítimo, de ataque aos nossos direitos e de destruição do patrimônio dos brasileiros. Temos que estar atentos e mobilizados nas ruas para frear estas ameaças e defender este importante banco público, essencial para o crescimento econômico e social do Brasil. A participação de todas e todos na Greve Geral de 28 de abril é fundamental para que possamos realizar este enfrentamento. Não aceitamos nenhum direito a menos”, destacou.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Fenae

Compartilhe: