O Sindicato, juntamente com outros sindicatos filiados à Fetrafi-MG/CUT, se reuniu com representantes do Itaú nesta segunda-feira, 24, em Belo Horizonte. Na reunião, marcada para discutir saúde e condições de trabalho, o Itaú também respondeu a algumas cobranças anteriores feitas pelo Sindicato.

Representando os funcionários, estiveram presentes a presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, a diretora de Saúde do Sindicato e membro do GT de Saúde, Luciana Duarte, o diretor Ramon Peres, que integra a COE Itaú, a diretora Valdênia Ferreira, coordenadora do coletivo Itaú, assim como os diretores Kennedy Santos, Liliane de Oliveira, Paulo Faria e Tárcio Chamon. A Fetrafi-MG foi representada pelos diretores Marcelo Campos, Marilene Gualberto e Ted Silvino. Também participaram representantes de sindicatos do interior.

Pelo Itaú, estiveram presentes Marco Aurélio e Simone Alves, da área de Relações Sindicais, e Ana Clara, que representou o setor médico do banco.

Exame periódico, demissional e retorno ao trabalho

Na reunião, os bancários denunciaram o fato de o Itaú não orientar gestores quanto ao exame de retorno ao trabalho, que deve ser realizado toda vez que o trabalhador retorna de um afastamento igual ou superior a 15 dias de afastamento. A questão está prevista Norma Regulamentadora 7 (NR-7).

O Sindicato denunciou também que muitos bancários que passam pelo exame não recebem atenção adequada no retorno ao trabalho e acabam voltando às atividades que causaram o adoecimento. No banco, trabalhadores que retornam de licença do INSS não estão sendo encaminhados para o programa de retorno/readaptação ao trabalho. Por outro lado, está havendo encaminhamento para os licenciados, o que não está previsto no programa.

Outro problema tratado se relaciona às clínicas credenciadas pelo banco, responsáveis pelos exames médicos e atestados de saúde ocupacional (ASO). Elas estão exigindo assinatura prévia do trabalhador que vai passar pelos exames, antes mesmo do atendimento médico, o que compromete a transparência do processo.

Os representantes dos trabalhadores cobraram, ainda, a realização de exames demissionais em todos os casos de demissões. Em muitos casos, os exames periódicos são marcados justamente com o intuito de demissão, e não de prevenção.

Os bancários destacaram também que, em alguns casos, trabalhadores relatam queixas durante o exame e as mesmas não constam no ASO.

Ana Clara, que representou o setor médico do banco na reunião, informou que estão sendo realizadas melhorias nos exames periódicos e de retorno ao trabalho. Segundo ela, o banco está orientando os gestores e as clínicas em relação ao programa de readaptação/retorno ao trabalho e ao acolhimento ao trabalhador que retorna de licença.

O banco informou também que todo trabalhador poderá ter acesso ao seu prontuário através de solicitação por escrito.

Com relação aos exames periódicos, o Itaú informou que os mesmos serão realizados anualmente e que a marcação do exame deverá obedecer ao prazo de 60 dias de antecedência.

Quanto ao exame demissional em todos os casos, o banco não concorda em realizá-los. No entanto, informou que, com a regra de exame anual e a exigência de antecedência para marcação, exames periódicos não terão intuito de demissão.

Os representantes dos bancários cobraram do Itaú a presença de assistente social em Minas Gerais para acompanhamento do programa de retorno/readaptação, como já ocorre em São Paulo e Rio de Janeiro.

O banco se comprometeu a estudar esta necessidade a partir da implementação do programa de retorno, após avaliação e aprovação da COE.

Outra denúncia apresentada ao banco, durante a reunião, foi em relação à discriminação sofrida por trabalhadores que retornam ao trabalho após licença saúde, maternidade, reintegração ou que adquiriram a pré-aposentadoria. Os representantes dos bancários explicaram que estes trabalhadores, em sua maioria, são direcionados a USO e passam a viajar, perdendo sua referência e até mesmo comprometendo o tratamento de saúde. Há muitos casos, ainda, de funcionários que perdem sua carteira de clientes.

O Itaú informou que trocou a Superintendência Operacional e que desconhecia este fato em Minas Gerais. Diante da denúncia, o banco se comprometeu a orientar os gestores sobre o acolhimento a estes trabalhadores. Quanto aos funcionários que retornarem de licença, suas restrições serão avaliadas pelo serviço médico e eles serão encaminhados ao programa de retorno.

Emissão da CAT

Os representantes dos bancários também questionaram o Itaú sobre a não emissão da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho). O banco reafirmou compromisso feito em reunião do GT de Saúde de enviar cópia das CATs emitidas aos departamentos de saúde dos sindicatos todo primeiro dia do mês.

Respostas do banco a reivindicações anteriores

Homologações

O Sindicato havia questionado o Itaú sobre frequentes problemas ocorridos em homologações, como remarcações, erros ligados ao FGTS, cálculos incorretos, entre outros.

Os representantes do banco reconheceram que a documentação nem sempre chega correta ao gestor. Segundo eles, a demanda já foi levada para a área de RH do Itaú e medidas recentes foram tomadas para corrigir o problema. Os representantes dos bancários afirmaram que irão acompanhar a situação para saber se houve mudanças. Caso contrário, novas denúncias serão feitas.

Em relação ao direcionamento de alguns funcionários para cuidar exclusivamente desta demanda, o que gera preocupação no Sindicato quanto à sobrecarga de trabalho do gestor, que é submetido também à cobrança por metas, o banco informou que está estudando o assunto.

GSO e GRA nas audiências trabalhistas

O Sindicato denunciou que vem recebendo queixas de trabalhadores em relação à presença dos GSOs (gerentes de Suporte Operacional) e GRAs (gerentes Regionais de Agências) em audiências trabalhistas. Os representantes dos bancários avaliam que a prática tenta induzir ou inibir as testemunhas dos reclamantes.

Diante do questionamento, o banco afirmou que a situação não ocorrerá em todas as audiências.

Portas de segurança em agências do interior

Os representantes dos funcionários denunciaram que a agência de Desterro de Entre Rios, além de outras do interior, vem funcionando sem porta de segurança.

O Itaú afirmou que está ciente da questão e que a instalação das portas esbarra no fato de que as construções em que se localizam as agências são tombadas pelo Patrimônio Histórico. Mesmo assim, o banco informou, diante da cobrança do Sindicato, que a instalação está em estudo.

Os representantes do Itaú sugeriram, ainda, a realização de uma reunião específica sobre segurança em Minas Gerais e uma visita ao centro de segurança do Itaú em São Paulo.

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