Funcionários do Bradesco vêm sendo obrigados a cumprir ordens que causam indignação à população e expõem os trabalhadores a riscos. A tarefa imposta é triar quem é correntista com o objetivo de impedir o atendimento de não clientes nas baterias de caixa, no interior das unidades. A determinação de não receber pagamento de boletos de outras instituições financeiras também se inclui entre as medidas que o banco está tomando para reduzir custos, segundo denúncias de bancários.

De acordo com as denúncias, a orientação é não realizar o pagamento de boletos de bancos diferentes e, no caso de depósitos, indicar os caixas eletrônicos. As determinações provocam revolta e geram situações difíceis para os bancários, já que clientes que estão acostumados a pagar as contas no Bradesco ficam indignados e o clima da agência fica tenso.

A prática do Bradesco faz parte de um projeto de atendimento implantado em 2014, cujas consequências vêm sendo analisadas pelo movimento sindical, principalmente no que diz respeito  aos impactos nas condições de trabalho. O projeto visa reduzir o número de autenticações nos caixas por meio de triagem, priorizando clientes do Bradesco. O banco informou que não haverá corte de pessoal e o movimento sindical segue acompanhando a questão, já que as mudanças criam condições para que se acabe com atendimento nos caixas.

Além disso, a falta de funcionários e a sobrecarga de trabalho já são um grave problema enfrentado pelos trabalhadores do Bradesco, sendo que muitos bancários são obrigados a fazer hora-extra e, desde o ano passado  também fazem a conferência e o processamento de envelopes, serviço que antes era terceirizado.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), baseado nas Instruções Normativas do Banco Central (BC) que determinam como se deve prestar o atendimento nas agências bancárias, especifica o que pode e o que não pode. Segundo a norma que está na Resolução nº 1.865/91 do BC,  é vedada a discriminação entre os clientes e não clientes em pagamentos de serviços básicos, como água, luz, gás e telefone, cobrados por empresas com as quais os bancos têm liberdade de fazer convênios.

Os bancos também não podem recusar ou dificultar o acesso aos canais de atendimento convencionais, inclusive aos guichês de caixa, pela Resolução nº 3.694/2009 do BC. Mesmo que tenha meios alternativos, a escolha deve ser do consumidor. Conforme o Idec, a única exceção é de haver tal previsão no contrato mantido entre a instituição financeira e a concessionária prestadora do serviço de consumo, restringindo os canais específicos de pagamento. O banco teria que comprovar que os termos do convênio sofreram alteração.

O Sindicato está atento e realizando levantamento sobre a questão nas agências da base de BH e região, assim como estudando medidas para coibir práticas que afetem os direitos do consumidor. Os funcionários que se sentirem pressionados devem encaminhar, imediatamente, denúncia ao Sindicato.

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