O Jornal do Brasil publicou, no último final de semana, uma reportagem informando que o Santander cobra tarifas e juros até 20 vezes maiores dos clientes brasileiros, se comparado aos clientes espanhóis. O movimento sindical e os trabalhadores do banco sempre denunciaram essa exploração, que atinge também os funcionários do banco.

O Santander lucrou R$ 9,953 bilhões em 2017 no Brasil. Isto representa 26% do lucro total do banco e coloca o Brasil como o que mais contribuiu para o lucro mundial do banco espanhol.

“O sistema financeiro brasileiro permite que os bancos mantenham um spread altíssimo. É um sistema que lhes possibilita, com crise ou sem crise econômica, obter altos lucros. Não podemos mais permitir que os bancos ganhem tanto dinheiro aqui e não tenham nenhuma responsabilidade com o desenvolvimento socioeconômico do país”, afirmou Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT. O spread bancário é a diferença entre o quanto o banco paga pelos recursos que arrecada e o quanto ele cobra de seus clientes.

A irresponsabilidade social do banco é ainda maior quando se compara a dívida bruta do setor público brasileiro e a espanhola. Os números mostram que o estado espanhol tem uma relação de endividamento/PIB 30% maior que a do brasileiro e, nem por isso, as empresas espanholas e cidadãos pagam taxas de usura que se praticam no Brasil, principal inibidor do crescimento e do desenvolvimento da economia brasileira. Ao contrário, os ganhos dos bancos refletem o aumento da miséria do país que virou “paraíso dos rentistas”.

A diferenciação continua também no tratamento dado aos funcionários. Na Espanha, a matriz do banco reconhece o Comitê Europeu de trabalhadores do Banco Santander, mas não faz o mesmo com a rede de trabalhadores nas Américas. Além disso, o banco não concebe a formação de uma rede mundial dos trabalhadores, que reivindica a assinatura de um Acordo Marco Global, onde se estabeleceriam padrões de igualdade de tratamento a todos os trabalhadores do Santander no mundo.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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