O Santander já está impondo aos funcionários novas regras descritas na reforma trabalhista promovida pelo governo Temer. Sem qualquer negociação com os representantes dos trabalhadores, o banco apenas comunicou que fará mudanças no acordo de horas extras e no fracionamento das férias. A nova lei permite a negociação direta entre empresa e trabalhador nesses dois temas.

Porém, o movimento sindical já vinha alertando que esta suposta negociação é uma falácia. O que ocorre na realidade é que o empregador, sendo a parte mais forte da relação de trabalho, se julga no direito de impor seus termos aos empregados, que se vêm obrigados a aceitar o que é imposto.

Horas extras

O Santander impôs aos bancários um termo individual, através de assinatura eletrônica no Portal RH, que estabelece normas para o banco de horas na instituição. É o chamado acordo de horas extras.

Apesar de o acordo pressupor um entendimento entre as partes, o que ocorre na prática é a imposição da vontade do banco.

Fracionamento das férias

Outra mudança determinada pela reforma trabalhista do governo Temer é a negociação direta entre funcionário e empregador com relação às férias, que poderão ser fracionadas em três períodos, desde que nenhum deles seja menor do que cinco dias.

Este é outro ponto que o banco está impondo aos bancários sem qualquer negociação, de acordo com seus interesses.

Mudança da data do salário

Além dessas duas mudanças, na quinta-feira, 7, o presidente do banco, Sérgio Rial, apenas comunicou que, a partir de março de 2018, o salário passará a ser creditado no dia 30, e não mais no dia 20, como ocorria desde a época do Banespa.

“Na verdade, o que o Santander quer é lucrar ainda mais em cima da folha de pagamento dos trabalhadores, pois essa mudança permitirá ao banco ter mais 10 dias para fazer aplicações no mercado financeiro com o dinheiro dos salários”, afirmou a coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE), Maria Rosani.

Essa é outra mudança que foi imposta. E isso se deu apenas um dia depois de a área de Recursos Humanos do banco se comprometer a negociar esse ponto antes de qualquer implantação, junto com as horas extras e o fracionamento das férias.

Alegação duvidosa

O banco alega que a alteração da data do crédito do salário ocorrerá por causa do E-social, sistema do governo que unificará as informações recolhidas pelos empregadores relativas aos trabalhadores, como vínculos, contribuições previdenciárias, folha de pagamento, comunicações de acidente de trabalho, aviso prévio e informações sobre o FGTS. O E-social está previsto para entrar em vigor em janeiro.

Porém, esta mudança ainda está em discussão e não foi definida, o que desmonta a justificativa do banco.

Negociação já!

Está marcada para quarta-feira, 13, reunião com o banco para discutir essas questões. Os representantes dos funcionários cobrarão a revogação imediata destas três medidas impostas unilateralmente.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com SPBancários

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