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Foto: Jaílton Garcia – Contraf-CUT

Pressionada pelo Comando Nacional dos Bancários, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou nesta terça-feira, 30, em São Paulo, algumas respostas às reivindicações da categoria, depois da oferta de reajuste de 6,5% nos salários, que não cobre nem a inflação, e abono de R$ 3 mil, propostos na segunda-feira, 29. Não houve avanços e a Fenaban debateu poucos pontos da minuta. Diante do posicionamento dos banqueiros, o Comando Nacional orienta a rejeição da proposta e greve a partir do dia 6 de setembro.

Além de não garantir aumento real, a proposta da Fenaban reduz os salários em 2,80%, não garante empregos, não avança na saúde, nem das demandas de segurança e de igualdade de oportunidades.

Os bancos oferecem reajuste abaixo da inflação aos bancários, mas elevaram as taxas de juros dos clientes em 71,5% em um período de doze meses, com o cheque especial chegando a 318,4% ao ano. Para o Comando Nacional, a Fenaban quer impor retrocessos e a categoria deve ir à luta para assegurar conquistas, aprovando a greve por tempo indeterminado a partir de 6 de setembro.

O Sindicato realiza Assembleia Geral Extraordinária em sua sede nesta quinta-feira, 1º de setembro, para que bancárias e bancários possam deliberar sobre a minuta e sobre a greve. A Assembleia será realizada às 18h30 em primeira convocação e às 19h em segunda convocação.

“Diante do descaso dos bancos para com as nossas reivindicações, não temos outra alternativa a não ser deflagrar a greve e ir à luta nas ruas. Não podemos aceitar que os bancos, que continuam tendo lucros bilionários, usem o argumento da crise para retirar direitos dos trabalhadores. A mobilização é nossa arma mais forte e, com a participação de todas e todos, faremos o enfrentamento à ganância dos banqueiros”, afirmou a presidenta do Sindicato, Eliana Brasil.

PLR

A Fenaban não aceitou fazer mudanças na formulação da Participação nos Lucros e Resultados, conforme reivindicação dos bancários, concordando apenas com a instalação de um Grupo de Trabalho bipartite para discutir o tema. Os bancos obtiveram grande crescimento nos últimos anos, mas a fórmula da distribuição dos lucros não acompanhou a mesma proporção.

O Bradesco, por exemplo, já chegou a distribuir 14% do seu lucro, em 1995, quando os bancários começaram a negociar a PLR na CCT. Hoje em dia, distribui menos de 7%. No Itaú, o percentual de distribuição do lucro também já foi de 14%, e hoje está em menos de 6%. Isso ocorre porque o lucro cresceu imensamente.

No primeiro semestre de 2016, o lucro dos cinco maiores bancos (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e CAIXA) chegou a R$ 29,7 bilhões.

A categoria cobra uma regra mais simples, justa e transparente.

Agências digitais

A Fenaban não concordou em debater o tema na mesa de negociação e ainda afirmou que a discussão sobre jornada e condições de trabalho, nas agências digitais, deve ser feita por cada banco.

Licença-paternidade

A licença-paternidade de 20 dias foi sancionada pela presidenta Dilma Rousseff no início do ano, mas os bancos não aceitam antecipar a sua aplicação. Querem colocá-la em prática só a partir de janeiro de 2017, conforme legislação.

Saúde

Houve entendimento dos bancos em mudar o nome da cláusula 44ª de “Programa de Reabilitação Profissional” para “Programa de Retorno ao Trabalho”, conforme reivindicação dos bancários. Os representantes dos trabalhadores argumentam que o processo de reabilitação só cabe ao Estado, e não às empresas.

Por outro lado, os bancos não concordaram em extinguir a junta médica, composta por um médico do banco e outro do Sindicato, que avalia os funcionários no retorno ao trabalho, após a licença-saúde, e tem gerado divergências de laudos.

Vale-Cultura

Mais uma vez, a Fenaban afirmou que não estenderá o prazo do vale-cultura e que cumprirá apenas o que estipula a lei. O prazo do benefício expira em dezembro deste ano.

Auxílio-creche

O Comando Nacional voltou a argumentar que o valor atual do auxílio-creche, em poucos mais de trezentos reais, não cobre as despesas dos bancários no cuidado com os filhos. Mas, a Fenaban não se mostrou disposta em corrigir o valor para R$880, um salário mínimo, conforme reivindicação.

Segurança

Mais um não categórico dos bancos também foi a resposta para a extensão do atendimento médico e psicológico aos familiares dos bancários vítimas de sequestros e outros delitos, assim como o pagamento dos custos de remédios e das despesas de todos os tratamentos.

Mulheres

A igualdade de oportunidades é outro destaque na pauta de reivindicações. O Comando Nacional exige o fim das discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres.

Porém, mais uma vez, os bancos colocaram nas costas das mulheres o peso da falta de ascensão profissional e não concordaram em ampliar a discussão, jogando o tema para a mesa temática que se reúne no decorrer do ano.

Festival de nãos

Não houve avanços, ainda, nas reivindicações sobre parcelamento do pagamento de férias, auxílio-educação e extensão do vale-refeição no período de licença-maternidade.

Confira como foram as rodadas de negociação com a Fenaban:

1ª rodada de negociação

2ª rodada de negociação

3ª rodada de negociação

4ª rodada de negociação

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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