O Sindicato se reuniu novamente com o Bradesco, nesta terça-feira, 10, em Belo Horizonte, para debater assuntos ligados ao dia a dia de funcionárias e funcionários e cobrar melhores condições de trabalho. Na pauta, estiveram temas como fechamento de agências, metas abusivas, assédio moral, contratações, entre outros.

Representando os trabalhadores, estiveram presentes os diretores do Sindicato Carlos Augusto Vasconcelos (Mosca), Geraldo Rodrigues, Giovanni Alexandrino e Leonardo Marques. Já o banco foi representado pelo diretor Regional José Roberto Guzela (Diretoria Minas 1) e por seu assessor Arony Thomáz Pires, que é gerente Executivo Administrativo.

Fechamento de agências

O Sindicato cobrou do diretor Regional um posicionamento sobre a informação repassada à mídia pelo novo presidente-executivo do Bradesco, Octavio de Lazari, de que o banco estuda fechar 200 agências no Brasil em 2018.

O representante do banco informou que existe sim um estudo neste sentido. O Sindicato então cobrou, em mesa, a manutenção do emprego caso ocorra qualquer fechamento.

Cobrança excessiva de metas e assédio moral

Os representantes dos bancários denunciaram, durante a reunião, que os funcionários não estão mais suportando a cobrança para o cumprimento de metas. Esta cobrança, muitas vezes, é abusiva e se transforma em assédio moral que adoece os trabalhadores.

Os diretores do Sindicato destacaram também que o Bradesco planeja aumentar a média de produtos por cliente de 1,6 para 2 até o final do ano. Isto intensificará ainda mais a sobrecarga de trabalho e as pressões sobre os bancários.

O Sindicato exigiu então que o banco cumpra as cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) que inibem a cobrança abusiva de metas.

Contratações e reposições de funcionários desligados

O Sindicato também cobrou do banco mais contratações e reposições de funcionários desligados ou que saíram do Bradesco por meio do PDVE. Os diretores da entidade destacaram que muitas agências operam, hoje, no limite. Em alguns casos, ocorrem inclusive desvios de função.

Campanhas de emergência para venda de produtos

Os representantes dos Bradesco informaram, na reunião, que foram abolidas as campanhas de emergência para a venda de produtos específicos, que eram promovidas periodicamente nas unidades.

O Sindicato sempre denunciou este tipo de campanha e lutou por sua extinção, pois elas contribuíam para o aumento das pressões e do assédio a funcionárias e funcionários.

Smart

O Sindicato voltou a criticar a ferramenta Smart implantada pelo Bradesco, que consiste na avaliação feita por clientes, por meio de SMS, para contatos realizados por gerentes.

Na avaliação, o cliente deve responder à mensagem com uma nota numérica ou com um “N” quando entender que não houve qualquer contato. Se o bancário tiver a partir de dois “Ns”, ele é penalizado, assim como toda a agência. A situação tem levado inclusive a ameaças diretas e indiretas de demissão.

Os representantes dos bancários denunciam que a ferramenta é passível de erros, como números de telefone desatualizados ou mesmo quando uma terceira pessoa responde à mensagem sem estar ciente do contato realizado pelo gerente.

Sendo assim, o Sindicato cobrou que as avaliações Smart não sejam utilizadas como balizadoras para a demissão de trabalhadores.

Smartphone para gerentes

O Sindicato também questionou o diretor regional sobre a informação de que o banco estaria entregando smartphones a gerentes para uso corporativo.

O representante do Bradesco confirmou a informação e afirmou que há um projeto neste sentido em andamento, inicialmente apenas para gerentes de Pessoa Jurídica. O aparelho celular deverá funcionar de 8 às 18h, com funções diversas e sem custo para os bancários.

O Sindicato afirmou que irá acompanhar a situação para combater eventuais abusos.

Para Giovanni Alexandrino, funcionário do Bradesco e diretor do Sindicato, o diálogo é fundamental neste momento. “Estamos atentos e sempre ao lado dos bancários em todas as mudanças que, por ventura, possam ocorrer no banco. Deixamos claro, na mesa de negociação, que queremos melhores condições de trabalho, a garantia do emprego e o fim dos abusos nas cobranças por metas”, afirmou.

 

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