Para discutir demandas dos funcionários e cobrar esclarecimentos sobre mudanças que estão sendo implementadas pelo Santander, o Sindicato se reuniu com representantes do banco nesta terça-feira, 23 de abril. A reunião foi realizada na Superintendência BH, localizada na avenida João Pinheiro na capital mineira.

Representando os trabalhadores, estiveram presentes Davidson Siqueira e Wagner dos Santos, que são funcionários do Santander e diretores do Sindicato, Carolina Gramiscelli, funcionária do banco e diretora da Fetrafi-MG/CUT, e o advogado Italo Nicoliello, da assessoria jurídica do Sindicato. Já o Santander foi representado por Fabiana Ribeiro e Fernanda Bosco Manduca, da Diretoria de RH, e pelo superintendente de Atendimento Rede Minas, Manuel Azevedo Junior.

Unificação de cargos

O Santander já havia anunciado que, em maio, será concretizada a unificação de quatro cargos nas unidades: caixas, coordenadores, agentes comerciais e gerentes de relacionamento PF. Sendo assim, os bancários que atuam nestas funções passarão a ser gerentes de Negócios e Serviços.

Na reunião desta terça, o Sindicato cobrou o banco em relação à exigência de CPA-10 e a preocupação diante do curto prazo para que ela seja cumprida, cobrando a extensão deste período. Os representantes da categoria destacaram que o Sindicato, em parceria com a Fenae, está oferecendo um curso para que os trabalhadores consigam a certificação.

Os representantes do Santander reafirmaram que a cobrança do CPA-10 será imediata e que a unificação de cargos ocorre para que não sejam realizadas terceirizações. Alegaram, ainda, que a medida visa adequar o banco à nova realidade do mercado, com um modelo de atendimento completo.

“Destacamos, na reunião, o problema da sobrecarga de trabalho, já que os gerentes de Atendimento terão que coordenar o trabalho dos bancários que tiverem os cargos unificados. Além disso, os novos gerentes de Negócios e Serviços também terão novas rotinas a ser desempenhadas nas unidades”, explicou a diretora da Fetrafi-MG/CUT, Carolina Gramiscelli.

O Santander informou que será realizado um enxugamento dos processos do banco para não sobrecarregar os trabalhadores. Diante disso, o Sindicato cobrou que o processo seja feito de forma clara e objetiva para que a entidade possa acompanhar as mudanças.

Abertura de agências aos finais de semana

Os representantes dos bancários questionaram a abertura de agências aos finais de semana, como anunciado pelo banco, para a educação financeira de clientes e de toda a população. Além de se posicionar contra a abertura, o Sindicato denunciou que há relatos de pressão e assédio de gestores para que bancários aceitem trabalhar nestes dias, mesmo após o Santander alegar que a adesão é voluntária.

O banco informou que, a princípio, a abertura ocorrerá em 29 agências em todo o Brasil, nos meses de maio e junho. Em Belo Horizonte, será aberta a agência Savassi e, em Contagem, a agência Cidade Industrial.

Também segundo o Santander, não haverá atendimento bancário e o sistema ficará bloqueado nestes dias. Não será aceito, ainda, que o mesmo funcionário trabalhe todos os fins de semana.

Em relação ao assédio, os representantes do banco se comprometeram a intervir nas unidades em que for constatado o problema e reforçaram que o banco não punirá funcionárias e funcionários que não aderirem.

Cartão Ben

O Sindicato também cobrou informações sobre a implantação do Cartão Ben, de bandeira própria do banco e que unifica os cartões alimentação e refeição.

De acordo com o banco, só em Belo Horizonte, já há 1.400 estabelecimentos conveniados que aceitarão o novo cartão. Informaram, ainda, que os funcionários podem indicar novos estabelecimentos através do site, do aplicativo e pelo WhatsApp. O Cartão Ben será aceito em estabelecimentos que trabalham com máquinas Getnet e Cielo, desde que estejam conveniados.

Os representantes do Santander informaram, ainda, que o primeiro crédito no cartão já ocorre no mês de abril.

Reclamações no Banco Central

O Sindicato denunciou que agências estão sendo pontuadas negativamente quando clientes registram reclamações sobre os serviços de Internet Banking e sobre o App do banco.

“Destacamos que as unidades não têm qualquer gestão sobre as falhas no sistema de internet ou no aplicativo do banco. Por isso, cobramos que não haja penalização das agências quando forem registradas reclamações no Bacen”, destacou Wagner dos Santos, diretor do Sindicato.

Os representantes do Santander afirmaram que a situação não é apropriada e que serão verificados os motivos da penalização das unidades.

Tempo de fila

O Sindicato ressaltou que há excesso na cobrança dos gestores em relação ao cumprimento dos 15 minutos de fila de atendimento. A entidade exigiu que o banco ofereça condições e estrutura adequadas para que a legislação seja cumprida, além de que haja razoabilidade nas cobranças.

Manutenção das agências

Os representantes dos bancários denunciaram as cobranças e pressões de superintendentes regionais sobre a manutenção das agências. Desde que a responsabilidade da manutenção passou de uma empresa específica para cada unidade, os trabalhadores têm sofrido com a demora para a realização dos serviços. O Sindicato relatou que, muitas vezes, bancários têm que pagar serviços do próprio bolso devido aos atrasos e à pressão.

O superintendente de Atendimento Rede Minas, Manuel Azevedo Junior, afirmou que as unidades podem contatá-lo diretamente para solucionar com mais agilidade eventuais avarias e problemas.

Lei da guarda de chaves

Diante da entrada em vigor, em BH, da lei 11.162/2019 que proíbe a guarda de chaves e senhas por bancários, o Sindicato cobrou informações do banco sobre a implantação da abertura e do fechamento das agências por empresas especializadas.

Os representantes do Santander afirmaram que a implantação já está em análise, com a verificação de empresas de segurança que possam realizar o serviço.

“Continuaremos acompanhando de perto cada uma das demandas e denúncias dos trabalhadores do Santander, assim como cobrando respostas sobre as questões já apresentadas. Nesta quinta-feira, 25 de abril, será realizada uma reunião nacional com o banco, em São Paulo, para tratar destes e de mais assuntos ligados aos trabalhadores do banco”, afirmou Davidson Siqueira, diretor do Sindicato.

 

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