Foto: Jailton Garcia – Contraf-CUT

Delegadas e delegados que participam do Congresso Extraordinário da Contraf-CUT realizaram seu segundo painel na tarde desta quinta-feira, 9, com o tema “Futuro do Emprego”. A presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, fez parte da composição da mesa.

Os dois primeiros palestrantes do painel destacaram os cenários sombrios nacional e internacional que atingem o debate sobre emprego e trabalho. A complexidade dos quadros políticos em todos os continentes e na maior economia do mundo, com a ascensão de Trump nos Estados Unidos, traz perplexidade e até mesmo o questionamento sobre o significado da crise e, inclusive, sobre o fim do sistema capitalista.

Moisés Marques, professor da Associação 28 de Agosto, fez um panorama dos embates políticos que se travam em todo o mundo. Entre os casos destacados estavam o da Turquia, da Síria, das Filipinas, o surgimento do Estado Islâmico, o golpe na África do Sul, o fortalecimento da extrema-direita na França, o enfraquecimento da Comunidade Europeia, a instabilidade na Coreia do Norte e mudanças políticas na Índia e nos países da América do Sul e Central.

O professor enfatizou, ainda, o que o governo Trump pode representar nas relações internacionais, em termos políticos e econômicos, seus impactos na Europa e na China. O surgimento de lideranças de extrema-direita e a multiplicação de golpes de estado em governos legitimamente eleitos, as guerras civis, o crescimento da imigração, dos refugiados, todas essas questões, segundo ele, são cenários preocupantes para o futuro da democracia e do emprego.

Juntam-se a isso as mudanças tecnológicas, como por exemplo o aumento da velocidade dos dados, a internet das coisas, impressoras 3D, plataformas de conhecimentos, entre outros como fatores que terão consequências sobre emprego. “ O futuro não é mais como antigamente. As pessoas estão sendo relegadas a segundo plano e o desemprego entre jovens assola países da África, do Oriente Médio e da América do Sul, como o Brasil “, afirmou.

A professora Carla Regina Diegues, doutora em Ciências Sociais pela Unicamp, discorreu sobre o fato de o debate sobre o futuro do emprego já estar posto desde o final dos anos de 1970, quando se começou a falar em automatização, flexibilização, robotização, terceirização, reestruturação produtiva e fim do bem-estar social.

O que estaria em jogo atualmente, que se diferencia deste processo, é que agora o que está sob ameaça são os empregos formais para pessoas escolarizadas. “A população não escolarizada, há tempos, em sua maioria, está fora do mercado formal de trabalho e a terceirização tem sido regra e não exceção. Houve uma expectativa com o governo Lula de que o quadro de informalização fosse revertido, uma vez que o emprego formal no Brasil em seu governo chegou a 50%, mas esta expectativa não se confirmou. O impeachment e o agravamento da crise econômica a níveis nunca vistos no Brasil, e ainda a Reforma da Previdência, que vai obrigar as pessoas a trabalhar até morrer, trazem muitas dúvidas. O cenário do futuro do emprego não é nada animador” afirmou.

Segundo a professora, há ainda aumento dos casos de pessoas que se tornam completamente desinteressadas pelos vínculos de trabalho. “O trabalho perde o significado e deixa de ser fator de formação de identidade. As pessoas passam a deixar de ser força de trabalho. Isso nos faz pensar inclusive que possamos estar vivendo o momento de uma virada anticapitalista”, destacou.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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