Os diretores e conselheiros eleitos da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil divulgaram, no início de setembro, o boletim Prestando Contas Cassi, com uma explanação e defesa do princípio da solidariedade no Plano de Associados da entidade, a maior de autogestão em saúde no Brasil.

Confira, abaixo, o texto na íntegra:

A Caixa de Assistência e o Princípio da Solidariedade

“Garantir a solidariedade no Plano de Associados. Mesmo atendimento a todos, independente de idade, função exercida no banco ou número de dependentes”
(Chapas: Todos Pela Cassi 2014 e Cuidando da Cassi 2012)

Neste boletim dos representantes eleitos pelo corpo social da Cassi, apresentamos a nossa posição em relação ao tema e à defesa da manutenção da solidariedade como princípio da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil em qualquer debate que venha a ocorrer hoje e no futuro sobre o modelo de assistência e a sustentabilidade da entidade.

A Cassi é Caixa de Assistência e visa promoção de saúde e prevenção de doenças

Ela não visa lucro e não se baseia em planilhas de controle de despesas assistenciais como premissa de gestão. Foi criada por funcionários do Banco do Brasil e evoluiu como um dos principais direitos do funcionalismo e familiares durante a vida laboral e na aposentadoria. Hoje é a maior entidade de autogestão em saúde no Brasil.

A solidariedade é o que unifica trabalhadores da ativa e aposentados

Não temos dúvidas em afirmar que a solidariedade deve ser considerada uma cláusula pétrea de nossa Caixa de Assistência, porque esse princípio é o que une trabalhadores da ativa, que vendem sua força de trabalho, muitas vezes adoecem cumprindo suas longas jornadas e ainda sob forte assédio pelo cumprimento de metas e pela falta de funcionários. Também é o princípio que protege os aposentados, que passaram décadas sob este sistema de exploração e que têm na aposentadoria o legítimo direito a uma assistência médica, de boa qualidade, com ampla cobertura e com custeio baseado no sistema mutualista, onde o conjunto dos participantes contribui com regras iguais e o fundo gerado custeia as despesas assistenciais de cada participante e seus dependentes (definidos por regras aprovadas pelo corpo social) e cuida de todo o grupo de acordo com suas necessidades em saúde.

Quebrar a solidariedade na Cassi significaria a possibilidade de pagar por dependente, por idade, por consumo, por perfil epidemiológico, dentre outros, e temos certeza que muitos não conseguiriam arcar com essas despesas, fazendo com que vários colegas da ativa e aposentados tivessem que abandonar a Caixa de Assistência, encarecendo cada vez mais os planos, a ponto de a entidade se tornar insustentável.

Participantes devem ficar atentos contra teses e alegações comuns do ponto de vista neoliberal e do mercantilismo na saúde

Estamos em período de renovação de direitos dos bancários na Campanha Nacional da categoria. Saúde é um direito, e no caso do BB a Cassi é um direito e uma conquista de décadas de lutas através do movimento de saúde dos trabalhadores. A data base é um momento ímpar para buscar novos direitos em saúde para os funcionários da ativa como, por exemplo, a inclusão dos bancários oriundos de bancos incorporados no Plano de Associados, e para os participantes da Caixa de  Assistência como, por exemplo, a assistência odontológica como direito de saúde administrado pela Cassi, que incluiria os aposentados. Ambos direitos novos trariam receitas permanentes e fortaleceria a Caixa de Assistência e sua sustentabilidade.

Pesquisa do BB feita durante a Campanha Salarial aborda fim da solidariedade

Os bancários procuraram as entidades do funcionalismo e os dirigentes eleitos da Cassi preocupados com perguntas sobre expectativas para a Campanha Salarial 2014, feitas a eles por certa empresa que alegou se tratar de pesquisa encomendada pelo banco. Na pesquisa foi perguntado o que os bancários achavam da possibilidade de terem planos de saúde de mercado e de cobranças de mensalidade por participantes, quebrando o princípio da solidariedade na Cassi. Os eleitos não têm como interferir na postura do Banco do Brasil, mas sempre questionamos essas pesquisas que tentam desqualificar as entidades representativas do funcionalismo como os próprios sindicatos, criados pelos trabalhadores.

A sustentabilidade no Plano de Associados se dará por aumento da solidariedade na Caixa de Assistência, por ampliação dos direitos em saúde, por melhorias na gestão e fortalecimento na Estratégia Saúde da Família e Atenção Primária, a partir das Unidades Cassi, pelo uso inteligente e otimizado de rede referenciada e credenciada, com a melhoria na comunicação entre a Cassi e os participantes e suas entidades representativas, na melhoria das condições de trabalho no BB e com maior participação social na Caixa de Assistência através do fortalecimento dos Conselhos de Usuários, do envolvimento das entidades do funcionalismo no dia a dia das Unidades Cassi distribuídas por todo o território nacional e por uma política que amplie a cultura de pertencimento dos participantes da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil.

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