Foto: Roberto Parizotti – CUT

 

Trabalhadoras e trabalhadores de todo o país realizam, até esta quinta-feira, 31, em São Paulo, o 15º Congresso Extraordinário da CUT. A presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, participa do evento.

Em uma mesa realizada nesta terça-feira, 29, os participantes trouxeram para debate os temas “Financeirização, Automação e o Futuro do Trabalho”. Os convidados falaram sobre as mudanças nas relações de trabalho no Brasil e no mundo, que têm gerado trabalhos precários, desemprego e que podem levar até mesmo à extinção de algumas categorias.

“Com a aprovação da reforma trabalhista, a terceirização e as transformações do mundo, com as novas tecnologias, a CUT precisa discutir e traçar estratégias para continuar lutando pelos direitos da classe trabalhadora”, explicou o secretário Geral da CUT, Sérgio Nobre.

A financeirização, como a possibilidade da acumulação da riqueza abstrata, desvencilhada dos incômodos da produção material, é um fenômeno mundial, segundo o diplomata brasileiro e ex-ministro da defesa, Celso Amorim. “Muitos empresários ganham muito mais dinheiro com o mercado financeiro que com a produtividade do trabalho”, explicou.

Este modelo de comprar papel e não investir em produção vem acompanhado da desindustrialização e desnacionalização, privatizando as empresas estatais, diminuindo postos de trabalho, destruindo o Estado e aumentando a desigualdade, segundo o diplomata.

Amorim ainda destacou que nem na ditadura houve destruição dos direitos do trabalho e do Estado tão violenta e rápida. “A soberania está sendo ameaçada e sabemos que a liberdade é indissociável. Não há desenvolvimento nacional sem o forte apoio do Estado e não há igualdade sem democracia”, destacou.

O professor Ladislau Dawbor reafirmou que o dinheiro que está indo para o mercado financeiro paralisa a economia. Além dos mais de 14 milhões de desempregos no país, segundo Ladislau, 61 milhões de adultos estão enforcados com o pagamento dos juros do que já compraram. “Os empresários não irão investir em produção se não tiver para quem vender”, completou.

Ladislau também destacou os milhões em impostos que são “investidos” em banco ao invés de desenvolver estrutura e políticas sociais, cortando o salário indireto, como creche, saúde e educação universal e gratuitos, entre outros.

O professor afirmou que os desafios são grandes com as novas tecnologias, mas também vê oportunidades. “No Quênia, pequenos agricultores conseguem fazer contatos direitos com quem vai comprar seus produtos via celular, tirando o intermediador do processo”, contou. Ele acredita que a produção baseada no conhecimento está em alta. “Qualquer agricultor hoje está usando análise de sol, hídrica, entre outros e mais da metade do valor dos produtos não é trabalho físico, é conhecimento”, frisou.

Já o professor Lucas Tasquetto afirmou que os riscos das novas tecnologias e a automoção esbarram na substituição de empregos permanentes. Segundo ele, no contexto norte-americano, 47% da mão de obra total se caracteriza com auto risco de ser automatizados em uma década ou duas e podem ser extintos. “A proporção do risco dos empregos quando falamos dos países em desenvolvimento chega a 70%”, explicou.

Tasquetto destacou também que os futuros postos de trabalho precisarão de menos pessoas, mas com conhecimento técnico e que a “uberização” da economia pode degradar a relação do trabalho, diminuindo salários e reduzindo as chances de negociação com os sindicatos.

“Os trabalhadores e as trabalhadoras terão que assumir todos os riscos do trabalho individual e, com a lapidação dos direitos trabalhistas, isto se aprofunda”, afirmou. Para o professor, “os sindicatos precisam se atentar ao assunto e cobrar do Estado políticas que moldem a governança da internet para garantir segurança dos trabalhadores neste novo mundo do trabalho, que não tem mais volta”.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com CUT

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