Na rodada de negociação do dia 13 de junho, os bancos se recusaram a assinar o pré-acordo de ultratividade, que garantiria a validade dos direitos dos bancários até o final das negociações da Campanha Nacional 2018. A justificativa dos negociadores da Fenaban foi de que, nesta quarta-feira, 1º de agosto, um mês antes da data base da categoria (1º de setembro), apresentariam uma proposta final para ser apreciada pelos trabalhadores.

Por isso, na quinta rodada de negociação, representantes da categoria de todo o Brasil, que compõem o Comando Nacional dos Bancários, cobram essa proposta final. A presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, integra o Comando e acompanha as negociações em São Paulo.

“Queremos respostas para todas as reivindicações já debatidas de saúde e condições de trabalho, emprego, igualdade de oportunidades, além das cláusulas econômicas que serão tratadas nesta quarta”, afirmou Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e uma das coordenadoras do Comando.

Não são poucos os números e indicadores que comprovam a plena capacidade dos bancos de atender às reivindicações. Em 2017, as cinco maiores instituições financeiras que compõem a mesa de negociação pela Fenaban lucraram, juntas, R$ 77,4 bilhões. Um valor astronômico que impressiona, ainda mais quando revelado que o montante foi 33,5% maior que no ano anterior.

Os bancos, porém, extinguiram mais de 40 mil postos de trabalho desde 2016. Entre 2012 e 2017, eles foram responsáveis por apenas 1% dos empregos criados no Brasil. Por outro lado, seguem adoecendo os trabalhadores e são responsáveis 5% dos afastamentos por doenças relacionadas ao trabalho.

Outro dado alarmante: as famílias brasileiras comprometem a maior parte dos seus gastos com o pagamento de juros aos bancos. Foram R$ 354,8 bilhões transferidos da renda dos trabalhadores para as instituições financeiras em 2017, o que representa 17,9% de aumento real, ou seja, já descontada a inflação. O montante superou os R$ 291,3 bilhões gastos com alimentação fora de casa, os R$ 154,3 bilhões dos gastos com transporte urbano e os R$ 129,9 bilhões pagos em aluguel.

“Os bancos têm uma dívida imensa com a sociedade brasileira e com seus empregados. Os bancários querem aumento real, PLR maior, garantia para seus empregos e direitos e cobram isso com a certeza de que trabalham para um setor que está em totais condições de atender todas essas reivindicações e, mais que isso, contratar mais bancários para prestar um atendimento cada vez melhor para toda a sociedade”, afirmou Juvandia Moreira.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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