Os bancários reunidos na plenária final do 23º Congresso Nacional dos Funcionários do BB, realizada no dia 17 de junho, aprovaram as propostas para as negociações específicas com o banco na Campanha Nacional 2012/2013. Foram aprovadas reivindicações relativas a emprego, remuneração, saúde, condições de trabalho e segurança bancária, além do papel do Banco do Brasil e do sistema financeiro nacional. Nada menos que 300 delegados, sendo 213 homens e 87 mulheres, além de 11 observadores participaram do evento que foi realizado em Guarulhos, na Grande São Paulo.

O Congresso reafirmou a estratégia da campanha nacional unificada. Isso significa que a pauta específica do funcionalismo do BB será discutida com o banco concomitantemente com a negociação da minuta nacional de reivindicações da categoria, a ser aprovada pela Conferência Nacional dos Bancários que ocorrerá entre os dias 20 e 22 de julho, em Curitiba e depois negociada com todos os bancos, inclusive o BB, na mesa única da Fenaban.

Os delegados também aprovaram a manutenção do debate sobre a PLR na mesa única da Fenaban e na data-base da categoria, por entenderem que a participação nos lucros e resultados só existe nos bancos públicos federais porque foi uma conquista da Campanha Nacional dos Bancários com a Fenaban, a partir de 2003.

 

Remuneração e Condições de Trabalho

Os delegados presentes ao Congresso decidiram pela manutenção da luta por melhoria do Plano de Carreira conquistado em 2010. A reivindicação é que o PCR (Plano de Carreira e Remuneração) parta do piso do Dieese (R$ 2.300), incluindo escriturários e caixas e ampliando o valor do mérito para R$ 174, com interstício a cada nível de antiguidade de 6% (hoje é 3%). Também é reivindicado que o tempo do mérito seja reduzido de três para dois anos para a aquisição de cada letra de mérito para a primeira faixa salarial.

Ainda no tema Remuneração e Condições de Trabalho, o Congresso definiu como foco da Campanha 2012 a intensificação da luta pela implantação da jornada de 6 horas para todas as funções dentro do banco, com seleção interna para todos os cargos, sem perda da função. Os delegados se manifestaram contrários às reestruturações constantes em agências e departamentos e aprovaram a manutenção da luta pelo fim da PSO, do Sinergia BB e demais centralizações em andamento.

 

Saúde e previdência

O Congresso aprovou a negociação com o banco de mudanças nos Comitês de Ética, de forma que seja paritário e passe a funcionar com o acompanhamento das entidades sindicais, a exemplo do acordo sobre assédio moral assinado com a Fenaban.

Em relação aos incorporados de outros bancos no tema saúde e previdência, os delegados aprovaram propostas efetivas para garantir a sua inclusão na Cassi e na Previ.

 

Organização do movimento

O 23º Congresso do BB ratificou as resoluções do 3º Congresso da Contraf-CUT referentes ao papel das Comissões de Empregados (COEs). Ou seja, quem negocia com os bancos é o Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT e assessorado pelas COEs indicadas democraticamente pelas federações.

 

BB e o Sistema Financeiro

O Congresso decidiu ampliar a luta pela transformação do BB em um banco público de verdade, que tenha ação pautada pelo caráter social, o que inclui o barateamento e a ampliação da oferta de crédito para a produção e para o desenvolvimento nacional.

Os delegados reafirmaram a tese da estatização do sistema financeiro nacional, conforme resoluções da CUT, o fim dos correspondentes bancários, o fim da segregação da população de baixa renda nas agências e a convocação da Conferência Nacional sobre o Sistema Financeiro.

As resoluções completas do 23º Congresso serão divulgadas após uma revisão geral do texto final por parte da Contraf-CUT, assessorada pela Comissão de Empresa.

Para diretor do Sindicato e representante de Minas Gerais na Comissão de Empresa, Wagner Nascimento, o trabalho de sistematizar as discussões e propostas vindas dos encontros regionais e assembleias, contribuiu muito para o aprofundamento qualificado dos debates realizados pelos grupos de discussão e pela plenária. Segundo Wagner, a partir desse planejamento, foi possível construir uma pauta de itens com a participação democrática dos funcionários e funcionárias.

Wagner ressaltou a importância da participação dos bancários de Belo Horizonte nos debates. “Os bancários de BH estão de parabéns pela participação no Congresso Nacional dos funcionários do BB, onde muitos temas aprovados saíram do Encontro Estadual de Minas Gerais realizado na Capital. Melhorias na remuneração, nas condições de trabalho e saúde e, ainda alterações nas demandas de previdência foram temas importantes debatidos. E, mais uma vez, foi aprovada a inclusão de caixas e escriturários na carreira de mérito e a intensificação da luta pela jornada de seis horas”, lembrou. Wagner destacou ainda o fato de o Sindicato, mais uma vez levar em sua delegação “a maioria de bancários de base, o que reforça a nossa pauta específica para a campanha salarial. Participaram diretores do sindicato, delegados sindicais e bancários de base de agências, PSO, mesa de crédito, Ajure, CSO e CSL que marcaram presença em todas as discussões nos grupos temáticos e nas plenárias gerais, reforçando a participação da base nas decisões”, completou.

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