Em 29 de janeiro, é celebrado o Dia da Visibilidade Trans. Falar sobre transexualidade se torna cada vez mais importante diante do avanço de pautas e discursos conservadores no Brasil, onde a invisibilidade, a falta de informação, a discriminação, o preconceito e a violência ainda marcam profundamente a vivência diária de mulheres e homens trans.

A data foi escolhida pois, no dia 29 de janeiro de 2004, mulheres transexuais, homens trans e travestis foram a Brasília para lançar a campanha “Travesti e Respeito”, com o objetivo de promover a cidadania e o respeito. Foi o primeiro ato nacional organizado pela população trans no país.

De acordo com levantamento realizado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais, o Brasil ainda é o país que mais mata transexuais no mundo, concentrando 40% dos casos totais. O número de assassinatos chegou a 132 de outubro de 2018 a setembro de 2019, sendo alarmante a brutalidade registrada nos casos.

O preconceito contra as pessoas trans também se reflete diretamente na formação e na empregabilidade desta população. Com a falta de políticas públicas de inclusão, estima-se que mais de 70% das pessoas trans abandonem o ensino básico formal sem concluir o ensino médio. Isto contribui ainda para que entre 80 e 90% das pessoas que se autodeclaram transexuais e travestis, no Brasil, tenham que recorrer ao mercado da prostituição para sobreviver.

É importante destacar que, desde o dia 13 de junho de 2019, após decisão do STF, a discriminação de uma pessoa por sua identidade de gênero, a transfobia, caracteriza-se como crime de racismo, com pena de 2 a 5 anos.

A diretora do Sindicato e da Fetrafi-MG/CUT, Bianca Lourenço, que é uma mulher trans, destaca que apesar dos avanços ainda há muito preconceito velado e enraizado na sociedade. “Tenho orgulho de ser uma trans concursada na CAIXA, pois não é todo dia que se vê uma pessoa trans trabalhando em um banco no nosso país. A realidade da maior parte das pessoas trans ainda é a do subemprego, com humilhação e até mesmo sobrecarga de trabalho com baixos salários. Nesta data, lutamos principalmente por respeito, que é a base da dignidade humana”, afirmou.

Bianca Lourenço é empregada da CAIXA e diretora do Sindicato e da Fetrafi-MG/CUT

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região

 

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