O Censo da Diversidade Bancária é uma das conquistas da categoria na mesa de negociação com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Já realizado em 2008 e 2014, o levantamento traça o perfil da categoria por gênero, orientação sexual, raça e PCDs (pessoas com deficiência).

Já em 2019, será realizado o 3º Censo da Diversidade. O objetivo é analisar as políticas de inclusão dos bancos e promover a igualdade de oportunidades no setor. O questionário será iniciado no final de agosto e vai até outubro. Os dados serão tabulados e analisados, entre novembro e janeiro, e os resultados serão divulgados em fevereiro de 2020.

Ao mesmo tempo em que é aplicado o 3º Censo da Diversidade, será realizada a Campanha de Valorização da Diversidade, lançada no dia 15 de julho. A proposta foi apresentada pelos trabalhadores à Fenaban na mesa de igualdade de oportunidades e já começou a ser implementada. A campanha de sensibilização inclui a formação de agentes da diversidade nas agências e departamentos bancários.

Números revelados pelos últimos censos

O 1º Censo foi realizado em 2008 pela Febraban em conjunto com a Contraf-CUT, Organização Internacional do Trabalho (OIT), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) e Ministério Público do Trabalho. Foi respondido por 204,1 mil bancários de todo o país.

A iniciativa contou com a assessoria do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT) e foi tema de várias audiências públicas na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

O levantamento revelou que a maioria dos empregados nos bancos era do sexo masculino (52%), brancos (77%) e estavam alocados em funções de caixa ou de escriturário (68%). Apenas 19,5% dos trabalhadores do sistema financeiro eram negros ou pardos e ganhavam, em média, 84,1% do salário dos brancos.

O 2º Censo foi respondido por 187.411 bancários, de 18 instituições financeiras, o que representava 41% da categoria.

De acordo com os dados, as mulheres apresentam melhor qualificação educacional em comparação aos homens nos bancos. No 1º Censo, 71,2% das bancárias tinham curso superior completo ou acima. No levantamento de 2014, as bancárias com essa formação subiram para 82,5%. Para os homens, o aumento foi de 64,4% para 76,9%.

Os dados apontam, porém, que as mulheres continuam ganhando menos que os homens. Nos seis anos que separam os dois censos, a diferença entre o rendimento médio das mulheres e dos homens caiu somente 1,5 ponto percentual. O rendimento médio mensal delas em relação ao deles era de 76,4%, em 2008, e em 2014 foi de 77,9%.

Conforme os dados do 2º Censo, houve avanço no número de negros no setor bancário. Eram 19% de negros na primeira pesquisa. Já em 2014, os funcionários que se auto definiram foram 24,7% dos entrevistados. A grande falha, no entanto, é que não há um indicador voltado para a situação das mulheres negras nas instituições bancárias.

De acordo com os dados apresentados, 1,9% dos entrevistados se declararam homossexuais e 0,6%, bissexuais. O 2º Censo mostrou que 85% dos bancários são heterossexuais. Apenas 12,4% não responderam, o que significa baixa rejeição ao tema.

Apesar de a Fenaban divulgar que ampliou as contratações de pessoas com deficiência (PCDs), passando de 1,8% para 3,6% entre os dois censos, o número de bancários com deficiência motora caiu de 61,4%, em 2008, para 60,7% em 2014.

No entanto, os dados do 2º Censo mostraram que houve crescimento na admissão de pessoas com deficiência auditiva, que subiu de 12,2% para 22,8%, e com deficiência visual, de 3,9% para 11,8%.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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