Maria Inês Cota possui mais de 28 anos de Bradesco, mas parece que para o banco isso não quer dizer grande coisa. A exemplo do que vem acontecendo com outros bancários e bancários que dedicaram anos de sua vida ao Bradesco, mas que foram vítimas, ou assistiram a algum tipo de violência na agência em que trabalha, ela também foi demitida.

Em agosto de 2006 ela trabalhava na agência 2945 no bairro Industrial quando assistiu um cliente ser morto por um assaltante diante dos caixas eletrônicos. ?A minha mesa era de frente para os caixas do autoatendimento e o vidro era transparente. Eu vi o senhor chegando e em seguida sendo abordado pelo assaltante. Parece que ele reagiu e o assaltante atirou. Na época eu era gerente de pessoa jurídica e a única chefe presente na agência naquele momento já que era horário de almoço e todos os outros tinham saído. Prestei socorro, chamei o Samu, mas ele não resistiu. Quando o socorro chegou, estava acabando de morrer. Fiquei sabendo que ele completava 51 anos naquele dia?, lamenta Inês.

Como outras agências do Bradesco, aquela onde Maria Inês trabalhava também não possuía um segurança devidamente preparado, nem câmara de circuito interno de TV. Também como acontece em outros casos, o Bradesco não emitiu o Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT) que é obrigatório em caso de assalto, sequestro e outras violências contra os bancários. Traumatizada, Maria Inês ficou três dias sem conseguir falar, não conseguia dormir, entrou em depressão, começou a tomar remédios antidepressivo um deles de tarja preta. Só então o banco providenciou terapia e tratamento com um psiquiatra. Ela continuou na gerência jurídica e passados alguns meses o banco tirou o tratamento e a bancária continuou por conta própria até que em fevereiro de 2008 foi demitida pela primeira vez. Com a demissão o seu quadro de saúde se agravou e Maria Inês conseguiu um afastamento por quatro meses pelo INSS, por doença do trabalho em razão da violência que sofreu.

O Sindicato, no entanto, se recusou a fazer a sua homologação e através do seu departamento jurídico entrou na justiça com o processo de reintegração e em novembro de 2009 Maria Inês foi reintegrada com todos os seus direitos garantidos. O banco, no entanto, não dava trégua e vinte dias depois a bancária foi demitida novamente. O Sindicato entrou com nova ação contestando a demissão já que a bancária estava em fase de pré-aposentadoria. Inês ficou mais dois anos afastada do banco, mas no dia 11 de novembro de 2011 foi reintegrada novamente. ?Ganhei novamente todos os meus direitos e mais R$ 50 mil por danos morais. Agora faltando apenas um ano e alguns meses para aposentar vejo que valeu a pena ter persistido e enfrentado esta batalha?, afirma.

Inês reconhece que a batalha foi dura, mas compensou. ?Eu diria às pessoas que enfrentam problemas parecidos com o meu que não desistam nunca, que sejam persistentes, que acreditem e lutem pelos seus direitos. O fato de eu ter sido reintegrada foi uma benção do Senhor, mas foi fruto da minha persistência. Eu esperei todos este três anos e nove meses para alcançar essa vitória. Isso nos faz sentir que somos alguém, pois fui demitida injustamente e através de muita luta juntamente com o Sindicato conseguimos que a justiça fosse feita?comemorou.

 

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