O II Censo da Diversidade, conquistado na Campanha Nacional 2012, começou a ser aplicado no dia 17 de março em todo o país. Cerca de 486 mil bancários e bancárias, que representam 98% do funcionalismo de 18 bancos públicos e privados, poderão participar até o dia 25 de abril, respondendo o questionário através do hotsite da Febraban. No entanto, passados 15 dias desde o início, apenas 6,73% participaram, considerando os municípios com mais de 400 bancários na base.

Na última sexta-feira, dia 28 de março, uma reunião ocorrida em São Paulo do Grupo de Trabalho (GT) do II Censo, formado pela Contraf-CUT e Fenaban, avaliou a primeira etapa da pesquisa. Para a secretária de Políticas Sociais da Contraf-CUT, Andréa Vasconcelos, o momento exige mais divulgação e mobilizações em todos os sindicatos do país.

“Orientamos os bancários a não deixarem a participação para a última hora. Responder às perguntas do questionário é extremamente importante para garantir igualdade de oportunidades e de tratamento para todos os trabalhadores. A política interna dos bancos é discriminatória, o que resulta em salários desiguais”, aponta Andréa.

Para dialogar com os bancários e mostrar a importância da participação no II Censo, a Contraf-CUT elaborou um folder, que está disponível na seção de downloads na área restrita do site para impressão e posterior distribuição aos trabalhadores nos locais de trabalho.

Com o material,  os representantes dos bancários  querem dar maior visibilidade ao processo e recomendamos aos sindicatos a realização de seminários, oficinas, palestras e rodas de conversas sobre o tema, além de atividades com a imprensa e também com os movimentos sociais.

Rápido, fácil e seguro

O tempo previsto para responder ao II Censo é em torno de 8 e 10 minutos. O sistema conta com um programa de segurança e as respostas serão sigilosas e confidenciais. Todos os bancários, inclusive os licenciados por motivos de saúde, maternidade e mandato sindical, que estão na base de cadastro da RAIS, podem participar da pesquisa.

A exigência do CPF, da data de nascimento ou matrícula completa permite a entrada segura no sistema, a certificação de que o acesso é feito somente por bancários. O sistema está criptografado, o que significa que não há como rastrear individualmente os CPFs ou matrículas, logo não há risco de vazamento de informações.

Retrato da categoria

A Contraf-CUT está fazendo o acompanhamento do processo até a divulgação dos seus resultados, que acontecerá em julho deste ano.

Com o II Censo será possível comparar se as distorções detectadas na primeira pesquisa, realizada em 2008, foram corrigidas, bem como averiguar se os bancos estão efetivamente assegurando condições igualitárias na contratação, na remuneração e na ascensão profissional de todos os trabalhadores, independente de sexo, gênero, raça/cor, etnia, se LGBT ou pessoas com deficiência. Por isso a participação de todos os bancários é fundamenta.

Uma história de lutas contra a discriminação e o preconceito

O debate sobre igualdade de oportunidades foi pautado no Encontro Nacional dos Bancários, em 1992. De lá para cá, foram inúmeras ações voltadas ao combate da discriminação no setor financeiro. Em 1996, o tema foi incluído na minuta de reivindicações entregue aos bancos.

No I Encontro de Mulheres, em 1997, foi criada a Comissão de Gênero, Raça e Orientação Sexual (CGROS) e, no ano seguinte, o tema igualdade de oportunidades tornou-se bandeira de luta da Campanha Nacional dos Bancários.

Os bancos sempre negaram a discriminação no local de trabalho, mas em 2000 a então CNB-CUT e o Dieese realizaram uma pesquisa nacional, a qual resultou na publicação “Os Rostos dos Bancários”. O levantamento traçou o perfil da categoria e comprovou a existência de distorções de gênero e raça.

Depois da identificação das desigualdades, a CNB-CUT produziu três cartilhas entre 2001 e 2003: “Assédio Moral no Trabalho”, “Relações Compartilhadas” e “Igualdade de Oportunidades”, intensificando o debate junto aos bancários. Essas ações refletiram positivamente na criação da mesa bipartite sobre igualdade de oportunidades, em 2001.

Ao longo desses mais de 10 anos, a mesa temática aprofundou o debate sobre diversos temas relacionados “às minorias”. E em 2008 foi construído o primeiro censo, chamado de “Mapa da Diversidade”, que revelou uma série de desigualdades nos bancos.

O resultado do II Censo será um valioso instrumento de comparação para identificar avanços ou retrocessos no retrato da categoria na perspectiva da igualdade de oportunidades.

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com a Contraf-CUT

 

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