Mesmo com lucro líquido de R$ 7,055 bilhões no primeiro semestre de 2013, o Itaú continua reduzindo o número de postos de trabalho. O lucro bilionário é o segundo maior da história dos bancos brasileiros, estando atrás somente do registrado pelo próprio Itaú em 2011. De acordo com o Dieese, no mesmo período foram cortados 2.264 postos de trabalho no país, sendo 1.556 somente no segundo trimestre.

Nos últimos 12 meses o enxugamento do quadro foi de 4.458 funcionários. Assim, em junho de 2013, o quadro de funcionários do Itaú caiu para 88.059 empregados.

No primeiro semestre, as receitas de prestação de serviços e tarifas bancárias do banco apresentaram crescimento significativo de 13,5%, atingindo R$ 11,446 bilhões. Somente com esta receita, o Itaú já cobre 155% do total das despesas de pessoal. Isso ocorre porque o Itaú continua reduzindo, sistematicamente, seu quadro de trabalhadores.

O Sindicato tem denunciado os abusos cometidos pelo Itaú e os prejuízos causados pela falta de funcionários. Na base territorial de BH e região, foram contabilizados 320 desligamentos somente em 2012. Com isso, o atendimento é prejudicado e os funcionários que continuam no banco sofrem com a sobrecarga de trabalho e são obrigados a fazer horas extras.

Além disso, o Itaú adota banco de horas para compensar as horas extras de forma individual e com decisões unilaterais dos gestores. Em reunião realizada no dia 29 de julho na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE-MG), o Sindicato cobrou do banco o fim deste tipo de compensação e o cumprimento da Cláusula 8ª da Convenção Coletiva de Trabalho 2012/2013, que prevê que as horas extras sejam pagas com adicional de 50%. Sem uma solução por parte do Itaú, a Superintendência solicitou a investigação das denúncias.

O Itaú é também o banco que lidera as reclamações de consumidores do setor financeiro ao Procon ao mesmo tempo que registra recordes de lucro, demissões e de valores pagos a seus altos executivos. A média anual de remuneração destes executivos chega a R$ 9,05 milhões, de acordo com o Dieese, o que representa mais de 234 vezes o que ganha um bancário de piso.

Outro grave problema enfrentado pelos trabalhadores do Itaú é a implantação de horário estendido em diversas agências. Somente em Belo Horizonte, já são 22 unidades de trabalho operando com horário diferenciado, além de outras cinco localizadas em Betim, Contagem e Sete Lagoas. O horário estendido também tem forçado bancários a fazerem horas extras com frequência e saírem muito tarde das agências, o que gera insegurança e prejudica a qualidade de vida.

O funcionário do Itaú e diretor do Sindicato, Paulo Faria, destacou que a entidade tem lutado contra o horário estendido e já denunciou o banco. “Em novembro de 2012, denunciamos o Itaú junto ao Ministério do Trabalho e fizemos com que ele fosse autuado pela adoção de horário diferenciado. Continuaremos lutando contra a intransigência do Itaú e para que seja atendida nossa justa reivindicação e sejam contratados dois turnos de trabalho”, afirmou.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT e Dieese

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