O sistema financeiro nacional fechou 5.004 postos de trabalho em 2014 e manteve o alto índice de rotatividade no emprego dos anos anteriores, como mecanismo para achatar a média salarial, mesmo com os lucros bilionários obtidos durante o ano. Apenas no estado de Minas Gerais, foram 587 cortes.

O desemprego no setor seria ainda mais acentuado não fosse a atuação da CAIXA, a única grande instituição financeira a criar vagas, num total de 2.600. Os bancos agem, assim, na contramão da economia brasileira, que gerou 396.993 novos empregos em 2014.

Os dados são da Pesquisa de Emprego Bancário (PEB) divulgada nesta segunda-feira, 26, pela Contraf-CUT, que faz o estudo em parceria com o Dieese, com base nos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Rotatividade achata salários

De acordo com o levantamento Contraf-CUT/Dieese, além do corte de vagas, a rotatividade continuou alta no período. Os bancos brasileiros contrataram 32.952 funcionários e desligaram 37.956.

A pesquisa mostra, também, que o salário médio dos admitidos pelos bancos no ano passado foi de R$ 3.374,99 contra o salário médio de R$ 5.338,12 dos desligados. Assim, os trabalhadores que entraram nos bancos receberam valor médio 37% menor que a remuneração dos que saíram.

A diferença deixa clara a prática da rotatividade como um mecanismo de redução da massa salarial da categoria visando aumentar ainda mais os lucros. Nos últimos 11 anos, os bancários conquistaram aumentos reais consecutivos, mas os ganhos são corroídos pela rotatividade, freando o crescimento da renda da categoria.

Desigualdade entre homens e mulheres

A pesquisa mostra também que as mulheres, ainda que representem metade da categoria e sejam mais escolarizadas, continuam discriminadas pelos bancos na remuneração, ganhando menos do que os homens quando são contratadas. Essa desigualdade segue ao longo da carreira, pois a remuneração das mulheres é bem inferior à dos homens no momento em que são desligadas dos seus postos de trabalho.

Enquanto a média dos salários dos homens na admissão foi de R$ 3.805,74 em 2014, a remuneração das mulheres ficou em R$ 2.921,66, valor 23,2% inferior.

Já a média dos salários dos homens no desligamento foi de R$ 6.017,45 no período, enquanto a remuneração das mulheres foi de R$ 4.4522,87. Isso significa que o salário médio das mulheres no desligamento é 26% menor que a remuneração dos homens.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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