O fechamento de postos de trabalho e a redução das estruturas envolvendo agências, de olho na diminuição dos custos, têm evidenciado que os bancos seguem na contramão dos demais setores da economia. Apesar dos altos lucros obtidos, milhares de empregos vêm sendo cortados pelas instituições financeiras nos últimos anos. Em reportagem publicada nesta terça-feira, 19, o jornal Valor Econômico aponta que os maiores bancos privados do país estão revendo seus planos de inauguração de agências.

Com base na chamada “eficiência operacional”, os bancos têm mantido o foco no corte dos postos de trabalho.

Bradesco

A redução nos empregos não se justifica diante dos lucros bilionários obtidos pelas instituições financeiras. No primeiro semestre de 2013, o Bradesco lucrou R$ 5,9 bilhões, alcançando o maior lucro da história do banco para o período. Apesar disso, a empresa fechou 2.580 vagas nos últimos 12 meses.

Segundo o Valor, quando 2013 começou, o Bradesco previa a abertura de 50 agências neste ano, mas deve encerrar o ano com no máximo 20 inaugurações. Por enquanto, está apenas com 11 novas unidades, mesmo com o crescimento da economia e expansão de crédito nos bancos públicos.

Santander

Outro exemplo é o Santander, que obteve lucro de R$ 2,9 bilhões no primeiro semestre deste ano e, no entanto, cortou 3.216 empregos nos últimos 12 meses, sendo 2.290 apenas no primeiro semestre de 2013.

O banco tinha, no país, no mês de setembro, 35 agências a menos do que no início deste ano. Algumas dessas unidades estão passando por reformas para atender o público de mais alta renda, mas o banco não esconde que reviu sua estratégia.

Atendimento quase sem bancários

A consequência do corte de postos de trabalho são filas intermináveis aos clientes e a proibição de que realizem tarefas simples, como a utilização do caixa para depósitos ou pagamento de contas. Para os bancários que ficam nas áreas de atendimento, os cortes significam sobrecarga de trabalho, assédio moral, estresse e adoecimento.

Correspondentes

Outra estratégia dos bancos é o uso de correspondentes bancários que permitem aos bancos expandirem seus negócios sem terem de abrir novos pontos de atendimento. Dentro da estrutura de padarias e lojas, por exemplo, as instituições conseguem prestar alguns serviços bancários, expulsando clientes de menor renda e usuários dos serviços para estes correspondentes.

Também neste caso, fica claro que os bancos seguem na contramão, já que utilizam de mão de obra já contratada pelo comércio, não gerando novos postos de trabalho também fora das agências.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT e Valor Econômico

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