Foto: Arquivo Sindicato

Em reunião com o Sindicato, nesta segunda-feira, 29, na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Minas Gerais (SRTE-MG), o Itaú demonstrou todo o seu descaso ao reafirmar que continua desrespeitando seus funcionários. Durante a audiência, que tratou do Acordo Individual de Compensação de Jornada de Trabalho, o Itaú não apresentou qualquer proposta para colocar fim ao banco de compensação das horas extras. A atitude do banco levou a Superintendência a solicitar a fiscalização das unidades de trabalho.

O Sindicato cobra do banco o fim da compensação de horas realizada de forma individual e o cumprimento da Cláusula 8ª da Convenção Coletiva de Trabalho 2012/2013, que prevê que as horas extraordinárias sejam pagas com adicional de 50%. Da forma como é realizado atualmente, o acordo de compensação só beneficia o banco.

“O banco insiste no banco de horas e utiliza a compensação somente nos dias de seu interesse, ao invés de contratar mais funcionários e melhorar o atendimento”, afirmou o funcionário do Itaú e diretor do Sindicato, Ramon Peres, que participou da audiência.

Os representantes dos trabalhadores denunciam também que a implantação do horário estendido em 22 unidades de trabalho do Itaú em Belo Horizonte e outras cinco agências em Betim, Contagem e Sete Lagoas tem obrigado funcionários a fazerem horas extras com grande frequência. O horário estendido faz com que bancários saiam muito tarde das agências, o que gera insegurança e prejudica a qualidade de vida.

Outro problema apontado é o grande número de demissões, que leva os funcionários que ficam no banco a acumular funções e sofrer mais pressões. Somente em 2012, o Sindicato contabilizou 320 desligamentos em sua base territorial, o que gera sobrecarga de trabalho e também obriga os funcionários a realizarem horas extras.

O diretor do Sindicato, Ramon Peres, criticou a postura intransigente do Itaú. “Após pedir adiamento da reunião, o banco compareceu sem qualquer proposta, o que demonstra que seu único foco está nos lucros e explicita o total descaso com as condições de trabalho dos bancários. O Sindicato recebeu denúncias de que bancários fazem horas extras habituais em algumas unidades de trabalho, trabalhando até 10h por dia”, afirmou.

Já o funcionário do Itaú e diretor do Sindicato, Kennedy Santos, destacou que os bancários do Itaú sofrem com o total descaso enquanto os diretores do banco ganham fortunas todos os anos. “O Itaú é campeão de demissões, de lucro e de remuneração aos altos executivos, pagando uma média anual de  R$ 9,05 milhões a cada um, o que representa mais de 234 vezes o que ganha um bancário de piso. Além disso, o banco também lidera as reclamações no Procon entre as instituições financeiras”, denunciou.

“Os bancários sofrem com as demissões, a falta de funcionários e o assédio moral e ainda têm que realizar horas extras com frequência. Para piorar, o banco ameaça funcionários que realizaram muitas horas extraordinárias a compensá-las, ao invés de serem remunerados por elas, como estabelece a CCT. O Sindicato continuará atento e acompanhará a fiscalização da SRTE para garantir a solução imediata do problema e o fim do banco de horas no Itaú”, concluiu Kennedy Santos.

Compartilhe: