Logo após realizar dezenas de demissões de trabalhadoras e trabalhadores por todo o país, mesmo diante de um cenário de agências lotadas, demora e sofrimento no atendimento aos beneficiários do INSS, seu público alvo, o Mercantil do Brasil mostra que a maldade não tem limites.

Alegando cuidados com os colaboradores por conta de eventual contágio por Covid-19, o banco repassou comunicados internos proibindo e lacrando, temporariamente, o uso de copas, cozinhas e similares em suas unidades. O Mercantil decretou que os funcionários se alimentem somente após as 14h e na própria estação de trabalho podendo ocorrer de almoçarem na frente de clientes e usuários.

A proibição absurda pegou todos de surpresa, pois seria muito mais lógico e eficaz que o banco implementasse uma escala ou rodízio para o uso consciente e um número máximo de funcionários ao mesmo tempo dentro das copas. O Mercantil, porém, quer obrigar os trabalhadores a comerem refeições frias e, possivelmente, em frente em frente a clientes, aumentando substancialmente o risco de contágio – o que vai contra a própria justificativa do banco.

Para Marco Aurélio Alves, que é diretor do Sindicato e coordenador nacional da COE Mercantil, os funcionários não podem passar por mais essa situação constrangedora e perigosa dentro do banco. “Comer na própria estação de trabalho pode resultar em mais serviço para o bancário e também trazer problemas de saúde, já que a mesa pode esconder germes e bactérias, além de que o local fica muito próximo a centenas de clientes e beneficiários do INSS, aumentando a possibilidade de contágio. Não podemos entender a lógica do Mercantil para tentar impor essa medida desnecessária e desumana para seus funcionários”, afirmou.

O diretor do Sindicato Vanderci Antônio da Silva também destacou que é inadmissível que os funcionários sejam proibidos de utilizar as copas para esquentar suas refeições e se alimentarem em um ambiente que lhes traga tranquilidade e conforto, que são as copas e cozinhas pensadas para este fim. “Obrigar o funcionário a realizar as refeições nas estações de trabalho é ilógico e não traz benefícios para ninguém. Até os próprios clientes poderão ficar constrangidos com essa imposição do banco”, explicou.

Movimento sindical se reunirá com o Mercantil para cobrar fim das demissões

Representantes dos funcionários do Mercantil se reunirão com o banco, nesta terça-feira, 16 de junho, para exigir explicações e cobrar o fim das demissões. A reunião será realizada, remotamente, a partir das 14h pela plataforma Zoom.

Participarão da reunião entidades representativas da categoria de todo o país, como a Contraf-CUT, a Fetrafi-MG/CUT e os sindicatos de Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e demais localidades que contam com agências do Mercantil em que houve demissão de funcionários em plena pandemia.

O movimento sindical está mobilizado para cobrar do banco explicações sobre os injustos desligamentos de trabalhadores no atual momento, que é uma das mais graves crises de toda a história.

É importante destacar também que, em contraste às políticas patrocinadas pelo Mercantil contra seus funcionários, o banco vive um momento histórico financeiro e atingiu, em apenas três meses de 2020, lucro de R$ 47 milhões.

“As demissões feitas pelo Mercantil, em meio a uma pandemia global, se mostram totalmente desumanas e injustificáveis, ainda mais levando em conta o lucro histórico obtido no primeiro trimestre deste ano”, ressaltou a presidenta da Fetrafi-MG/CUT, Magaly Fagundes.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região

 

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