Em protesto contra a sobrecarga de trabalho e abusos cometidos pelo Bradesco, o Sindicato paralisou, durante a manhã desta segunda-feira, 30, o funcionamento da agência 465-Centro e de seus diversos departamentos e da agência 464-Comércio, ambas localizadas no centro de Belo Horizonte. A mobilização, que contou com a instalação da “Porta do Inferno” na entrada da agência Centro, pressionou o banco a convocar uma reunião imediata com os representantes dos funcionários.

Na mesa de negociação, o Sindicato foi representado pela presidenta Eliana Brasil e pelos diretores Carlos Augusto Vasconcelos (Mosca), Leonardo Marques e Paulo Corrêa (Capela). Já o banco foi representado pelo diretor regional de Minas Gerais, Alex Silva Braga, com sua assessora Denise Rocha, e pelos gerentes regionais Arilton Nandi, Gilmar Alvez, Joel Queiroz e Juscelo Lopes.

Sobrecarga de trabalho

O Sindicato denunciou que a falta de funcionários e a sobrecarga de trabalho são um grave problema enfrentado pelos trabalhadores do Bradesco, que têm sido obrigados a fazer hora-extra com frequência. A situação se tornou ainda mais grave quando, a partir de 2014, os funcionários passaram a fazer a conferência e o processamento de envelopes, serviço que antes era terceirizado.

As pressões sobre os gerentes também têm se intensificado com a operação de reenquadramento de clientes. O procedimento ocorre periodicamente e maneja clientes entre os segmentos Classic, Exclusive e Prime de acordo com sua renda. Como não há funcionários suficientes, os gerentes sofrem com as cobranças para o cumprimento de metas, sendo ameaçados de demissão caso as metas não sejam atendidas. Com isso, o atendimento aos clientes fica prejudicado, especialmente o de contas Exclusive que exigem diferenciais.

Uma circular interna do Bradesco de maio de 2014 orientava que o gerente Exclusive deveria administrar, no máximo, 750 contas. Apesar disso, em setembro de 2014 –  contando com o mesmo número de gerentes para a realização dos serviços -, o banco passou a orientar que a “quantidade ideal” de contas a ser administradas é 3,3 mil.

Durante a negociação, o Sindicato exigiu que o banco cumpra as cláusulas 36ª (que trata da cobrança por metas) e 56ª (que fala sobre assédio moral) da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e o Acordo Coletivo para Prevenção de Conflitos no Ambiente de Trabalho, colocando fim às cobranças abusivas pelo cumprimento de metas. Em resposta, o diretor regional Alex Silva Braga apenas alegou que a orientação passada às unidades de trabalho é que as cobranças sejam feitas dentro de padrões éticos, seguindo os acordos firmados com a categoria.

O funcionário do Bradesco e diretor do Sindicato, Leonardo Marques, destacou que o Sindicato está atento aos abusos cometidos pelo banco. “Estamos mobilizados e é essencial que funcionárias e funcionários  denunciem, imediatamente, qualquer abuso ao Sindicato. É com base nestas denúncias que podemos verificar a situação e cobrar providências do banco, exigindo que os trabalhadores sejam respeitados”, afirmou.

Pré-atendimento

Os representantes dos funcionários também questionaram o novo projeto de atendimento implantado pelo Bradesco em 2014, que vem obrigando bancários a triar correntistas e usuários na tentativa de impedir o atendimento de não clientes. A orientação é de não receber pagamentos de boletos de outros bancos e, no caso de depósitos, indicar a utilização de caixas eletrônicos. Estas determinações provocam revolta e geram situações difíceis para os bancários e usuários dos serviços do Bradesco.

Sobre essa questão, o Sindicato exigiu que o Bradesco realize treinamento com todos os funcionários responsáveis pelo pré-atendimento e foi cobrada a colocação de cadeiras no espaço destinado à triagem, já que bancários vinham sendo obrigados a permanecer de pé enquanto atendiam a população. O banco se comprometeu a adquirir as cadeiras prontamente.

O Sindicato também questionou o Bradesco sobre a suposta promoção aos funcionários responsáveis pelo pré-atendimento. O diretor regional afirmou que a questão deve ser discutida com a matriz do Bradesco, pois abrange trabalhadores de todo o país. O Sindicato entrará em contato com o departamento de Relações Sindicais para cobrar mais informações.

Estabilidade

Os representantes dos funcionários exigiram que o Bradesco respeite a CCT no que diz respeito à estabilidade pré-aposentadoria e de funcionários acometidos por doenças profissionais. O Sindicato denunciou que o banco tem demitido trabalhadores nestas condições e que, diversas vezes, a entidade já foi à Justiça e garantiu a reintegração dos bancários.

O diretor regional argumentou que cumpre ordens da matriz e o Sindicato irá procurar o departamento de Relações Sindicais em São Paulo para exigir esclarecimentos e garantir que o banco respeite os trabalhadores e o cumprimento dos acordos assinados.

Venda de produtos

O Sindicato cobrou que o Bradesco pare de exigir a venda de produtos pelos caixas, o que pode sobrecarregar os funcionários e prejudicar o atendimento.

O banco alegou que esta não é uma obrigação, mas sim uma sugestão, e que não exige que os caixas vendam produtos. Os representantes dos funcionários deixaram claro que o Sindicato permanece atento e realizará novas paralisações caso o problema persista.

Postos de atendimento

Os representantes do banco foram questionados sobre boatos de que agências do Bradesco no interior de Minas Gerais estariam sendo transformadas em Postos de Atendimento (PA).

O diretor regional negou que este seja um processo em andamento, alegando que apenas duas agências que seriam fechadas foram transformadas em PA.

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