Foto: Arquivo Sindicato

Após 21 anos de sua morte, o importante sindicalista, ex-presidente do Sindicato, Armando Ziller, recebe de volta simbolicamente, nesta quarta-feira, 18, seu mandato na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que foi cassado em 1948 após a extinção do Partido Comunista no Brasil. A restituição simbólica do mandato a Ziller foi aprovada por meio de projeto de resolução da deputada Luzia Ferreira, promulgado no dia 13 de julho deste ano pela ALMG, onde Ziller foi eleito deputado constituinte em 1947.

Armando Ziller nasceu em 3 de setembro de 1908, no Rio de Janeiro, e fez concurso para o Banco do Brasil em 1933, tomando posse na agência de Santos, em São Paulo, onde participou ativamente do embrião do futuro Sindicato de Santos. Transferido para Curitiba, contribuiu também para a fundação do Sindicato dos Bancários do Paraná. Já em Belo Horizonte, para onde foi transferido a seu pedido, Armando teve atuação sindical destacada, sendo o presidente do Sindicato durante a greve vitoriosa das 6 horas e assumindo também o cargo de presidente da Federação dos Bancários e Securitários de Minas e Goiás.

O sindicalista foi eleito deputado em meio a repressões aos partidários comunistas. Era membro do PCB desde 1942 e liderava, em Minas, um movimento pela manutenção de ideais marxistas. Assim como Prestes, teve o mandato extinto em janeiro de 1948, quando o governo Dutra colocou o chamado ?partidão? de volta à clandestinidade, com seu registro cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Além da homenagem na Assembleia, que deve ocorrer ainda neste semestre, a família de Ziller luta pela indenização na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Isso porque o sindicalista, além de ter o mandato cassado, ficou quase 20 anos fora do país para não ser preso durante o regime militar. Aposentado do Banco do Brasil, atuava como professor em Genebra, na Suíça, quando foi deflagrado o golpe de 1964. Mesmo fora do país, Ziller foi julgado e condenado a anos de prisão e só pôde voltar ao Brasil em 1980, depois da anistia concedida pelo governo Figueiredo.

De volta ao Brasil, Armando Ziller ainda presidiu o Partido Comunista Brasileiro até 1992, ano em que faleceu.

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