Após duas semanas do prazo anunciado para a divulgação dos novos calendários relativos ao auxílio emergencial de R$ 600, o governo federal ainda não informou as datas de pagamento da segunda parcela do benefício. Este clima de indefinição deixa as pessoas desorientadas e elas acabam precisando buscar informações nas agências da CAIXA.

Além disso, a desorganização e a ausência, até hoje, de uma campanha informativa ampla e efetiva à sociedade têm prejudicado o trabalho de empregadas e empregados da CAIXA e colocado em risco tanto a saúde dos trabalhadores como também a da população.

A falta de planejamento do Executivo ficou evidente quando, após a divulgação da antecipação do pagamento da segunda parcela do auxílio, o Ministério da Cidadania recuou por não saber se haveria dinheiro suficiente para pagar a população. Nem o governo nem a direção da CAIXA conhecem a realidade brasileira e subestimaram o número de pedidos do benefício. Mais da metade da população — cerca de 50 milhões de pessoas — solicitou o auxílio. Este número, contudo, pode chegar a 100 milhões segundo prevê o próprio governo.

Ainda no início do cadastramento, o Ministério da Cidadania e a direção da CAIXA divulgaram que a segunda parcela do benefício seria paga entre os dias 27 e 30 de abril e a terceira entre 26 e 29 de maio. Contudo, no dia 20 de abril, anunciaram que a segunda parte do pagamento ocorreria no dia 23, o que também não foi cumprido pelo governo.

Em nota, o Ministério da Cidadania alegou questões orçamentárias e legais para não efetuar o referido pagamento, além do alto número de pedidos para o auxílio emergencial. Segundo a pasta, seria necessária a abertura de crédito suplementar para garantir a antecipação da segunda parcela, além do pagamento da primeira.

Falta de clareza

Desde o início da pandemia, a Fenae e outras entidades representativas dos bancários reivindicam mais clareza por parte do governo federal e da direção da CAIXA.

“Carente de informações, a população continua indo até as agências para saber mais sobre o cadastramento e o pagamento do auxílio emergencial, o que acaba causando filas e aglomerações”, observa Sérgio Takemoto, presidente da Fenae. “Daí, a necessidade de uma campanha informativa que seja realmente efetiva e abrangente”, completa.

Descentralização do pagamento

A descentralização do pagamento do auxílio emergencial para outros bancos é outra reivindicação das entidades que representam os trabalhadores como medida imprescindível para o fim de aglomerações e filas em agências.

Após pressão das entidades, o Ministério da Cidadania afirmou que os Correios deverão ajudar no cadastro do auxílio emergencial. A eventual parceria, contudo, além de não ter sido oficialmente firmada, não abrange o pagamento do benefício.

A CAIXA está fazendo o papel dela como banco público. Mas, ao invés de buscar soluções definitivas — como descentralizar o atendimento e ampliar os investimentos em Tecnologia da Informação para evitar falhas em aplicativos e outros sistemas virtuais de atendimento à população, além de contratar mais empregados — a direção do banco está sobrecarregando os trabalhadores e aumentando o risco de contágio pelo coronavírus nas agências.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com a Fenae

 

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