16-02-2012

 

O balanço divulgado nesta terça-feira, dia 14 de fevereiro pelo Banco do Brasil, apontou um lucro líquido recorde de R$ 12,1 bilhões em 2011, 3,6% maior que o de 2010, sendo que o spread bancário (diferença entre o custo de captação e as taxas de juros cobradas pelo banco) cresceu muito em todos os segmentos, atingindo 15,5% para pessoa física.
Isso quer dizer que as sucessivas quedas da taxa Selic, promovidas pelo Banco Central nos últimos meses, não foram transferidas para a população. Assim, o Banco do Brasil caminha na contramão do que se espera de sua atuação, que deveria ser a de servir de referência para o mercado, diminuindo as taxas de juros e puxando os valores para baixo.Além disso, o banco reconhece em seu balanço o expressivo crescimento dos ganhos obtidos com títulos baseados na taxa Selic.

Além disso, os números mostram o crescimento na concessão de crédito para o setor produtivo. A carteira de crédito do agronegócio, setor em que o banco tem atuação tradicional, encerrou o trimestre com saldo de R$ 89,4 bilhões, o que corresponde a crescimento de 6,7% ante o terceiro trimestre de 2011 e de 18% no ano. A carteira de pessoa jurídica cresceu mais, com expansão de 19% no ano e de 5,6% no trimestre. De acordo com o BB, o segmento foi impulsionado pelos empréstimos a médias e grandes empresas, com destaques para as linhas tradicionais, como capital de giro, e via emissão de papéis privados, como debêntures. Também se destacou o segmento de micro e pequenas empresas, com expansão de 19,5% em relação ao observado em dezembro de 2010 e 9,2% frente a setembro último.

Esses números são importantes, pois revertem uma tendência de queda na concessão de crédito ao setor produtivo, que vinha perdendo espaço nos balanços anteriores enquanto o crédito à pessoa física crescia. Essa trajetória é importante para que o banco se aproxime do papel social que se espera de um banco público, com empréstimos que incentivem o desenvolvimento e a geração de empregos e não apenas o consumo.

Apesar de o balanço registrar   crescimento no número de funcionários do banco, que saltou de 109.026 em 2010 para 113.810 em 2011, totalizando 4.784 novos postos de trabalho a sobrecarga de trabalho ainda persite com o aumento da exploração de bancários. Os funcionários continuam sofrendo com a forte pressão pelo cumprimento de metas abusivas, sendo que  o ganho médio do banco por cliente cresceu 12,4%, demonstrando um significativo aumento das tarifas bancárias.

Para o funcionário do BB e diretor do Sindicato Wagner Nascimento, outro fato que também chamou a atenção no balanço é que novamente o Banco do Brasil aumentou as provisões judiciais, sendo que muitas delas para ações trabalhistas referentes à 7ª e 8ª horas, em que majoritariamente o judiciário tem dado ganho de causa para o funcionalismo.
“O nosso Sindicato,  através da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB tem cobrado do BB um calendário de negociações para resolver esta questão da jornada e evitar a onda de boatos que todos os dias circula interna e externamente ao banco. Os sindicatos via Contraf  já enviaram uma proposta de calendário e estão organizando atos e paralisações para o início de março em todo o Brasil contra a medida”, afirmou.
Vários bancários do BB em Belo Horizonte já estão trabalhando na jornada de seis horas sem perda da comissão, fruto de ações judiciais através do Sindicato, sendo que parte desses já receberam o valor referente à 7ª e 8ª horas dos últimos cinco anos.

Fonte: Contraf-CUT

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