Na defesa dos direitos, da soberania nacional e da democracia. Bancárias e bancários de Minas Gerais realizaram, neste sábado, 4 de julho, sua 22ª Conferência Estadual. Os trabalhadores das bases dos oito sindicatos filiados à Fetrafi-MG/CUT debateram os desafios da categoria, principalmente durante a atual pandemia, e aprovaram propostas para a Campanha Nacional dos Bancários em 2020.

Durante a abertura do evento, que foi realizado pela plataforma Zoom, a presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, destacou a importância da luta dos trabalhadores e passou a palavra ao presidente eleito da entidade, Ramon Peres.

Para Ramon, são muitos os desafios a serem enfrentados no atual cenário e a atuação do Comando Nacional dos Bancários tem mostrado como é fundamental manter a organização, o que ficou claro nas negociações com a Fenaban para proteger os trabalhadores durante a pandemia.

“Temos conseguido conquistas e estamos protegendo bancárias e bancários em plena pandemia. Para a Campanha Nacional deste ano, temos quatro desafios chave: garantir a ultratividade da nossa CCT, que asseguramos na votação de uma MP que ainda não foi sancionada pelo governo Bolsonaro, a luta pelo aumento real e pela PLR em um cenário de queda do PIB e ampliação do desemprego, a realidade do teletrabalho que se impôs com a pandemia e a defesa dos bancos públicos, tão ameaçados pelo atual governo”, afirmou Ramon.

Desafios da categoria

A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, participou da Conferência Estadual e destacou que a Campanha Nacional deste ano impõe novos desafios. “Desde o golpe de 2016, vivemos momentos bem difíceis, com perda de direitos dos trabalhadores. Essa Campanha nos coloca um grande desafio de mobilizar a categoria mesmo com o distanciamento social”, explicou.

Juvandia ressaltou que o Comando Nacional dos Bancários agiu, desde o primeiro momento, para garantir os direitos da categoria durante a pandemia do coronavírus. Entre as principais questões ainda a serem tratadas, está o teletrabalho, adotado emergencialmente, mas que tende a ser adotado pelos bancos de forma permanente.

“Temos um grande desafio para a negociação com os bancos, seja em relação à pandemia ou à defesa dos bancos públicos, que recebem ordens do governo para a retirada de direitos. Porém, temos condição de criar uma grande rede de comunicação e pressão social nas redes e nas ruas. Temos que negociar o teletrabalho, defender os empregos, salários, PLR, os direitos da nossa CCT e a democracia. Sem democracia, não há direitos e distribuição de renda. Podemos fazer uma grande Campanha Nacional, desde que nos mantenhamos unidos, fortes e com uma grande estratégia de mobilização”, afirmou Juvandia Moreira.

O técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, também falou aos participantes da Conferência Estadual sobre a atual conjuntura. Ele destacou que diversos projetos no Congresso Nacional exigem a atenção dos trabalhadores, entre eles a reforma tributária e questões de regulamentação das novas tecnologias de trabalho, aceleradas pela pandemia.

Pós-pandemia

Os advogados da LBS Advogados, Luciana Barretto e Fernando Hirsch, que assessoram o movimento sindical bancário nacionalmente, abordaram as questões jurídicas impostas pelo “novo normal” durante e após a pandemia do coronavírus.

Entre várias questões, os advogados falaram sobre as adequações necessárias, principalmente em relação ao trabalho home office. Além dos cuidados tomados nas agências, para evitar a contaminação, estão as demandas dos trabalhadores para regulamentar o trabalho remoto, seja em relação à ergonomia, ao ressarcimento de custos do trabalhador ou aos impactos do teletrabalho na saúde mental.

“Temos um grande desafio, já que não existem muitos acordos coletivos sobre o home office. O que for criado e negociado pela categoria bancária, será um precedente para os próximos acordos e também para os acordos de outras categorias. Temos que pactuar uma negociação coletiva neste sentido para defender os direitos dos trabalhadores”, afirmou o advogado Fernando Hirsch.

Da mesma forma, os técnicos do Dieese, Fausto Augusto e Barbara Vallejos, abordaram o cenário do trabalho no Brasil e as mudanças trazidas pela pandemia. Além do desemprego e da crise econômica, que deve se agravar nos próximos meses, foram destacadas questões como o fechamento de agências e a aceleração da digitalização dos bancos.

Segundo Fausto Augusto, a pandemia ampliou o uso dos canais digitais, o que aprofunda as mudanças estruturais no setor bancário. Por isso, é preciso repensar as formas de representação dos trabalhadores e como o movimento sindical irá dialogar com estas pessoas. A tendência é que o trabalho seja cada vez mais atomizado, a chamada “uberização do trabalho”, e é preciso garantir a organização destes trabalhadores para garantir direitos.

Delegados e propostas

Bancárias e bancários escolheram, também, durante a Conferência, os representantes nos coletivos temáticos e delegadas e delegados que representarão Minas Gerais na Conferência Nacional.

Defesa do emprego, da ultratividade, dos bancos públicos, a defesa da democracia, engajamento nos movimentos contra a política do atual governo (Fora Bolsonaro, Fora Mourão e fora política econômica do Paulo Guedes) e aumento real de 5% foram definidos como as prioridades.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Fetrafi-MG/CUT

 

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