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O economista Luiz Gonzaga Belluzzo apresentou panorama das transformações do mundo financeiro

Delegadas e delegados de todo o Brasil deram início à 18ª Conferência Nacional dos Bancários, na manhã desta sexta-feira, 29 de julho, em São Paulo, com a realização do 1º Seminário Nacional do Sistema Financeiro e Sociedade. A Conferência seguirá até o domingo, 31, e culminará na definição da pauta de reivindicações da categoria para a Campanha Nacional 2016.

O primeiro painel temático abordou as transformações no sistema financeiro e seus impactos no mundo do trabalho e contou com exposições do doutor em Economia pela Unicamp, Luiz Gonzaga Belluzzo, e do doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, Ladislau Dowbor.

Nas duas exposições, foram tratadas questões de conjuntura interna e externa e as transformações no mundo financeiro nas últimas décadas. Luiz Gonzaga Belluzzo destacou que, na atual derrocada de um sistema econômico que não consegue mais se sustentar em todo o mundo, é preciso pensar no futuro do mundo do trabalho. “Não adianta recorrer a fórmulas velhas. É preciso pensar em como será o socialismo do século XXI, que deve ser da liberdade, da diversidade e da igualdade”, afirmou o economista.

Já Ladislau Dowbor focou sua análise no sistema econômico brasileiro e ao grave cenário de juros extorsivos que travam a economia. O professor explicou que a taxa Selic alta é um mecanismo em que o Estado é utilizado para transferir dinheiro dos impostos pagos por todos os brasileiros para os bancos, que detêm títulos da dívida pública. Este dinheiro, que chegou a R$ 500 bilhões em 2015 e corresponde a quase 10% do PIB, deixa de fomentar a economia e passa para as mãos de quem não produz.

Ladislau Dowbor denunciou os prejuízos causados pelo sistema de juros extorsivos

Ladislau Dowbor denunciou os prejuízos causados pelo sistema de juros extorsivos

“Precisamos do apoio de toda a comunidade que trabalha no sistema financeiro e de um esforço conjunto para elaborar uma visão de reorientação do sistema financeiro nacional. Que os trabalhadores se apropriem de uma visão que resgate a função essencial deste sistema de intermediação financeira, no sentido de fomentar efetivamente a economia”, ressaltou Ladislau.

Após as exposições, participantes da 18ª Conferência Nacional dos Bancários puderam se manifestar e realizar perguntas.

O 1º Seminário Nacional do Sistema Financeiro e Sociedade prossegue nesta sexta-feira, 29, com mais dois painéis: “Novas Ofensivas aos Direitos dos Trabalhadores” e “Fórum da Resistência – O Brasil que Queremos”. Será realizado, também, o lançamento dos livros “O Brasil que queremos” e “A resistência ao golpe”.

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