Em reunião ampliada da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, realizada nesta quinta-feira, 8, no auditório da Contraf-CUT, com a participação de cerca de 80 dirigentes sindicais de todo o país, foi indicada a realização de uma jornada nacional de luta contra as demissões do Santander. O Sindicato esteve presente, representado pelo funcionário do Santander e diretor, Wagner dos Santos.

Nos três primeiros meses do ano, o banco espanhol eliminou 970 postos de trabalho. Com isso, foram fechadas 4.833 vagas nos últimos 12 meses, o que representa uma queda de 9,0% no quadro de funcionários.

A proposta é fazer a jornada de 12 a 23 de maio com diversas atividades de mobilização, buscando o apoio dos clientes e da sociedade, com a finalidade de pressionar o Santander a parar as dispensas e forçar o banco a contratar mais bancários, a fim de proteger e ampliar empregos, melhorar as condições de trabalho e garantir atendimento de qualidade.

Para Wagner dos Santos, o Santander desrespeita os trabalhadores e continua não atendendo as demandas da categoria. “O banco demite e os funcionários que permanecem enfrentam sobrecarga de trabalho e sofrem com as metas abusivas e o assédio moral, o que leva inclusive ao adoecimento.   A grave situação fica evidente no ranking do Banco Central, onde o Santander lidera em número de reclamações de clientes desde janeiro de 2014”, afirmou.

Encolhimento e elitização

Na reunião, a economista do Dieese, Catia Uehara, fez uma apresentação com a análise do balanço do primeiro trimestre de 2014. O lucro foi de R$ 1,428 bilhão, uma redução de 6% em relação ao mesmo período de 2013. O banco fechou 58 agências, ampliando o número de unidades extintas para 150 agências nos últimos 12 meses. Também fechamento de PABs, caixas eletrônicos e correspondentes (Aimoré e Santander).

Com essa redução do lucro e dos pontos de atendimento, caiu também a participação do Brasil no lucro mundial do Santander. O percentual, que já alcançou 26%, baixou para 20% no primeiro trimestre. Houve também uma pequena recuperação na participação da Espanha, Portugal, Reino Unido e Estados Unidos.

A economista observou também que, se há um encolhimento nos pontos de atendimento, o Santander tem procurado investir mais em grandes empresas. Não é à toa que o banco tem inaugurado também agências “Select” em todo o país, visando atender o segmento de alta renda. O modelo afasta o banco de seus concorrentes e traz insegurança a bancários e clientes.

Milhões para um punhado de executivos

Os dirigentes sindicais protestaram contra o aumento de 48,3%, em 2014, na remuneração global dos 46 integrantes da diretoria executiva do Santander Brasil, conforme proposta aprovada em assembleia dos acionistas, realizada no dia 30 de abril. Com isso, segundo cálculos do Dieese, cada um deles ganhará média de R$ 5,7 milhões por ano, considerando salários, bônus e participação nos resultados.

Reunião com a diretoria de RH do Santander

Os dirigentes sindicais se reuniram, na tarde desta quinta-feira, com a diretora de Recursos Humanos do Santander, Vanessa Lobato, no Sindicato dos Bancários de São Paulo. Ela assumiu o cargo no final do ano passado, anunciou a saída no dia 30 de abril do superintendente de Relações Sindicais, Luiz Cláudio Xavier, e ouviu as demandas dos representantes dos bancários.

Uma série de problemas dos funcionários foi apontada para Vanessa, como demissões injustificáveis, falta de funcionários, assédio moral e sexual, aumento e cobrança de metas abusivas, pressões e terrorismo de regionais, teleconferências assediadoras, desânimo, falta de motivação, não valorização, metas e redução de caixas, sistema fora do ar, doenças mentais e síndrome do pânico, tentativas de suicídio, assaltos a agências e postos, sobrecarga de trabalho, reclamações de clientes, redução de empregados da limpeza, abertura de agências com greve de vigilantes, dentre outros.

Os representantes dos funcionários reafirmaram os pedidos de informações feitos na assembleia e ainda não respondidos sobre o número de contratações e desligamentos de funcionários em 2013, o detalhamento do pagamento da PLR e a explicação sobre a tabela de duração dos planos de previdência complementar patrocinados pelo Santander.

Vanessa não trouxe novidades, nem mesmo apresentou um calendário de retomada de negociações do Comitê de Relações Trabalhistas (CRT), do Fórum de Saúde e Condições de Trabalho e do Grupo de Trabalho do SantanderPrevi, se limitando a defender conceitos como “Me dói ouvir que o funcionário não está sendo respeitado”, disse. “Queremos ter boas agências, bom atendimento e funcionários engajados”, salientou. “Tem gestor despreparado”, reconheceu. “Não queremos conviver com a falta de respeito”.

Wagner dos Santos afirmou que a luta dos funcionários por condições dignas de trabalho e pelo fim das demissões continua. “Exigimos que o Santander apresente soluções e que respeite os grandes responsáveis pelos seus resultados, que são os bancários e bancárias. Continuaremos lutando e cobrando negociações para que possamos garantir emprego, saúde e segurança a todos os funcionários”, ressaltou.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

Compartilhe: