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O segundo dia da 18ª Conferência Nacional dos Bancários teve início com a apresentação da Consulta Nacional feita à categoria por sindicatos de todo o país. A economista e técnica do Dieese, Vivian Machado, apresentou a delegadas e delegados, na manhã deste sábado, 30 de julho, os dados que apontam as prioridades de bancárias e bancários para a Campanha Nacional 2016.

Apesar de não ter tratamento estatístico, a Consulta permite perceber as principais demandas dos trabalhadores e sua opinião sobre temas que estão em pauta. Dos respondentes, 52% eram homens e 48% mulheres, o que reflete dados reais sobre a composição da categoria.

A predominância de brancos na categoria continua expressa na Consulta, representando 78% dos respondentes. Pardos representam 16% e pretos 3%.

Em relação à Campanha Nacional no tema Remuneração, 47% dos respondentes consideraram o aumento real uma prioridade e 18% a ampliação dos pisos. Já na remuneração indireta, 41% defendem uma cesta alimentação maior. Na remuneração variável, por sua vez, 53% dos trabalhadores que responderam à Consulta consideram prioridade uma PLR maior.

No tema Emprego, 38% dos respondentes priorizam mais contratações, o que reflete a falta de funcionários e a sobrecarga de trabalho, denunciadas diariamente pelo Sindicato. A igualdade de oportunidades também foi destacada por 20% dos respondentes.

Em relação à saúde e às condições de trabalho, mais uma vez a categoria expressou sua indignação com o assédio moral e as metas abusivas. O combate a estes graves problemas foi apontado como prioridade para 42% e 43% dos respondentes respectivamente.

Outro dado importante e que também reflete as denúncias de sindicatos de todo o país se refere à saúde dos trabalhadores. Dos bancários que responderam à pergunta, 18% foram afastados nos últimos 12 meses por motivos de saúde. O uso de remédio controlado nos últimos 12 meses foi apontado por 19% dos respondentes.

Em relação a temas gerais, a categoria se mostrou contrária a medidas consideradas prioritárias pelo presidente interino, Michel Temer. A reforma da Previdência proposta pelo governo foi rechaçada por 76% dos respondentes, e 85% não concordam com a redução de direitos da CLT.

Além disso, 86% dos bancários consideraram muito importante ou importante o combate à privatização dos bancos públicos. Já 87% se mostraram contrários ao projeto que prevê a terceirização sem limites.

Os respondentes também se manifestaram sobre a volta do financiamento empresarial a campanhas eleitorais e a democratização da mídia. Dos respondentes, 66% afirmaram que não querem o retorno dos financiamentos e 63% consideraram muito importante ou importante a democratização da mídia.

Conjuntura econômica e política

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Também na manhã deste sábado, 30, a economista e técnica do Dieese, Regina Camargos, apresentou aos delegados e delegadas um balanço sobre a atual conjuntura econômica e política.

Entre os dados apresentados, Regina ressaltou que a taxa de juros brasileira (Selic) continua sendo a mais alta do mundo, favorecendo o mercado especulativo e transferindo importantes recursos para os detentores dos títulos da dívida.

A economista também apontou ameaças aos direitos dos trabalhadores e medidas do governo interino que podem, inclusive, aprofundar a crise. Entre as ameaças, Regina citou a PEC 241/2016, com a qual o governo Temer pretende limitar os gastos públicos à inflação do ano anterior. Com isso, pode-se paralisar o desenvolvimento e o investimento em áreas essenciais, como saúde e educação.

Entre outras questões, a técnica do Dieese citou também o projeto da terceirização sem limites (PLC 30/2015), a reforma da Previdência, a reforma trabalhista – com prioridade para a prevalência do negociado sobre o legislado, e o refinanciamento da dívida dos Estados, que pode transferir a conta da crise para os servidores públicos.

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