A histórica 22ª Conferência Nacional dos Bancários, a primeira realizada por videoconferência, foi encerrada na noite deste sábado, 18, após uma série de debates que culminaram com a aprovação da minuta de reivindicações e do plano de lutas da categoria. Entre as demandas da categoria, estão o reajuste de inflação mais 5% de aumento real e uma cláusula para regular o teletrabalho.

“Tivemos muito trabalho para realizar esta conferência totalmente virtual. Foi uma experiência diferente, de muito aprendizado. Conseguimos realizar uma excelente conferência, com debatedores que acrescentaram muito na leitura da conjuntura, assim como para elaborarmos e aprovarmos nossa minuta de reivindicações, que agora devem ser aprovadas em assembleias a serem realizadas pelos sindicatos da categoria em todo o país nesta segunda e terça-feira (20 e 21/7)”, disse a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, que é uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.

Após a deliberação nas assembleias, a minuta deve ser apresentada à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na quinta-feira, 23.

O presidente do Sindicato, Ramon Peres, destacou que a Conferência Nacional mostrou, na prática, que a distância não separa a categoria bancaria, não limita os bancários. “O nosso poder de organização é exemplo para todas as categorias profissionais. Temos orgulho disso. Aprovamos uma minuta de reivindicações com índice de correção salarial, PLR, melhores condições de trabalho e mais saúde que coloca sob o guarda-chuva de proteção todos e todas as bancárias e bancários sem nenhuma distinção. Vamos enfrentar essa Campanha Salarial, mais uma vez, unidos e organizados para garantir os direitos e conquistas que estão presentes em nossa CCT com mais de 27 anos de história”, afirmou.

“Vamos agora realizar nossas assembleias em todo o país para que os bancários validem as propostas tiradas na 22ª Conferência Nacional e entregar para a Fenaban. Nosso Sindicato sempre #nalutacomvocê #navidacomvocê”, concluiu Ramon.

Índice

Depois do debate sobre as propostas, os delegados aprovaram a reivindicação de reajuste de inflação mais 5% de aumento real nos salários e todas as cláusulas econômicas.

Home office

A 22ª Conferência também aprovou a inclusão, na minuta, de uma cláusula para regular o trabalho home office, que não pode ser imposto pelo banco. A cláusula estabelece, entre outras coisas, que os custos do teletrabalho sejam arcados pelos empregadores, assim como o fornecimento para os equipamentos de trabalho e ergonômicos.

A cláusula também proíbe que sejam retirados direitos dos trabalhadores que cumprirem suas funções em suas casas, à exceção do vale-transporte/combustível, que deve ser fornecido com valor proporcional aos dias de comparecimento do trabalhador no banco, definindo que estes tenham de realizar suas atividades no próprio local de trabalho, pelo menos, uma vez por semana.

“Foi importante a aprovação da inclusão desta cláusula, para impedir que os bancos decidam, unilateralmente, colocar os trabalhadores em trabalho remoto e não se responsabilizem, por exemplo, pelos custos e o fornecimento de todos os equipamentos necessários, inclusive mesas e cadeiras ergonômicas, para evitar o adoecimento dos trabalhadores. Nem que haja corte de benefícios ou redução dos rendimentos devidos”, explicou a presidenta da Contraf-CUT.

Metas abusivas

A Conferência também aprovou uma proposta para que seja feita uma atualização da cláusula que trata do estabelecimento e da cobrança as metas pelos bancos, uma vez que um dos eixos da campanha será a luta pela saúde e melhores condições de trabalho para a categoria.

Outros eixos

A campanha terá como prioridade a manutenção dos empregos e dos direitos, a defesa dos bancos públicos e o reajuste do valor da Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR) pelo mesmo índice da campanha.

Demais cláusulas

As demais cláusulas hoje presentes na CCT foram mantidas na minuta de reivindicações.

Moções

Os delegados também aprovaram cinco moções. Uma em solidariedade às famílias das vítimas do Covid-19; uma contra o racismo estrutural e pelo fim da violência policial; uma de repúdio ao Santander; e uma de apoio ao meio ambiente, aos povos indígenas e aos quilombolas.

Resoluções

Também foram aprovadas três resoluções: uma em defesa dos bancos públicos, uma para conclamar dirigentes e militantes sindicais a realizar um efetivo engajamento nas eleições 2020 e uma pelo “Fora Bolsonaro”.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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