Bancárias e bancários da CAIXA e do Banco do Brasil em Minas Gerais realizam, neste sábado, 27 de junho, o 29º Congresso Estadual dos Empregados da CAIXA e o 10º Encontro Estadual dos Funcionários do Banco do Brasil em MG, organizados pela Fetrafi-MG/CUT. Por causa da pandemia, os eventos ocorrem virtualmente, por meio da plataforma Zoom.

Em abertura conjunta, com a participação de representantes dos sindicatos da base da Fetrafi-MG, os trabalhadores destacaram os desafios impostos pela atual conjuntura, a importância da solidariedade e de manter a organização para defender os direitos da categoria, a Convenção Coletiva de Trabalho e os bancos públicos.

Assista à abertura na íntegra na página da Fetrafi-MG/CUT.

“Esse é um momento extremamente difícil, com mudanças no mundo de trabalho e um governo que, além da crise política, não tem nenhuma sensibilidade e só quer retirar direitos dos trabalhadores. Por isso, temos que reforçar nossa luta”, afirmou Magaly Fagundes, presidenta da Fetrafi-MG/CUT, ressaltando que foi justamente a organização da categoria bancária que garantiu as medidas de proteção à vida adotadas nos bancos contra a Covid-19.

Os representantes das entidades sindicais e associativas destacaram que foram muitas conquistas, mesmo com todas as restrições impostas pela pandemia. Porém, também lembraram que a Campanha Nacional dos Bancários em 2020 será extremamente desafiadora, seja pelo contexto político do Brasil ou pela crise sanitária sem precedentes.

“Estamos vivendo um momento que não queríamos viver. Nós, da CAIXA e do Banco do Brasil, temos um papel muito importante, nestes congressos estaduais, de fortalecer nossa luta em defesa dos bancos públicos, que são alvos de ataques frequentes do atual governo. Que possamos fazer um congresso dinâmico e que possamos também aprender a construir nossa organização por meio destas novas ferramentas durante a pandemia”, destacou a presidenta do Sindicato, Eliana Brasil.

Conjuntura e desafios

Para debater o atual cenário político e econômico, assim como os desafios que se impõem sobre os trabalhadores, a abertura dos encontros estaduais contou com a participação de Marcel Barros, diretor de Seguridade da Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil), Maria Fernanda Ramos Coelho, que é ex-presidente da CAIXA, e de Fernando Amorim, economista do Dieese.

Marcel Barros

Marcel Barros falou aos bancários sobre o enfrentamento à pandemia e sobre as formas de superar a atual política neoliberal, que ataca os direitos dos trabalhadores. Para ele, é preciso reconhecer a gravidade da atual crise e também utilizar o momento para reforçar nas pessoas o sentimento de solidariedade. “Temos visto, em todas as regiões do Brasil, movimentos de solidariedade. E é muito importante que isso continue e que as pessoas percebam que é papel de todos construir um mundo melhor”, afirmou.

O diretor da Previ destacou a importância de construir modelos de proteção social e reforçou que os bancos públicos dão sustentação a essas políticas. Diante da crise, para Marcel, é necessário tirar aprendizados e fortalecer a organização da sociedade.

“Nós ainda vamos viver mais algum tempo de bastante dificuldade e também de muito aprendizado. Eu não tenho dúvida que, mais do que nunca, as nossas organizações vão ser fundamentais para que a gente possa compilar esse aprendizado e levar isso para a sociedadade para contruir um mundo melhor e mais justo para todos”, concluiu o bancário.

A ex-presidente da CAIXA, Maria Fernanda Ramos Coelho, também chamou atenção para a política de desmonte e a irresponsabilidade do atual governo diante da atual crise, que não tem precedentes e atinge não apenas a saúde, mas também a economia, a cultura e a área ambiental.

A bancária lembrou o importante papel dos bancos públicos em crises, como a de 2008, e criticou a forma como estas instituições são tratadas por Bolsonaro. “Temos um governo que desvaloriza as instituições públicas. O que se pode esperar do governo Bolsonaro em relação às estatais é exatamente isso, nenhum reconhecimento, nenhuma valorização. Ao contrário, é a proposta de privatização de todas essas instituições”, destacou.

Maria Fernanda Ramos Coelho

Para Maria Fernanda, o atual momento de medo e ceticismo deve ser superado com solidariedade e autorresponsabilidade. Isto significa reforçar a comunicação e o engajamento entre as pessoas, fortalecendo a discussão e o debate. Citando a filósofa alemã Hannah Arendt, a ex-presidente da CAIXA concluiu: “porque, somente com a discussão, humanizamos aquilo que está acontecendo no mundo e em nós mesmos, pelo mero fato de falar sobre isso; e à medida que o fazemos, aprendemos a ser humanos”.

Papel dos bancos públicos

O economista do Dieese, Fernando Amorim, apresentou aos participantes dados sobre a atuação dos bancos públicos, ressaltando a diferença entre o papel destas instituições e os bancos privados.

Segundo Fernando, bancos como a CAIXA e o BB são fundamentais para induzir o desenvolvimento, para combater crises por meio de políticas anticíclicas, para gerar empregos e também para operar políticas públicas de forma mais barata e eficiente.

Porém, explicou o economista, desde o impeachment de Dilma Rousseff, o que se nota é a perda do papel social destas instituições, que muitas vezes vêm adotando estratégias de bancos privados. Da mesma forma, o BNDES teve sua atuação em favor do desenvolvimento engessada pelo atual governo.

Fernando Amorim

Fernando lembrou que, mesmo com a pandemia, os grandes bancos brasileiros se encontram em condições relativamente confortáveis em relação aos lucros, já que vinham de crescimentos exponenciais nos resultados a cada ano.

Mesmo assim, CAIXA e Banco do Brasil seguem reduzindo seu quadro de trabalhadores, o que também indica a política de desmonte. Entre o primeiro trimestre de 2019 e o de 2020, houve redução de 3.810 postos de trabalho no BB e 713 na CAIXA.

Debates específicos

Após a realização da abertura conjunta, os participantes dos encontros se dividiram para debater temas específicos ligados à CAIXA e ao Banco do Brasil.

Nos dois eventos virtuais, serão aprovadas resoluções para ser levadas ao Conecef e ao Congresso Nacional dos Funcionários do BB. Serão também eleitos os delegados e delegadas que irão representar Minas Gerais nos eventos nacionais.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região

 

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