Os bancários presentes na 14ª Conferência Nacional dos Bancários entregaram no dia 20 de julho, ao ministro do Trabalho Brizola Neto, uma moção de repudio aos atos de espionagem praticados pelo HSBC contra bancários em tratamento médico. A moção foi aprovada por todos os delegados presentes na Conferência durante o painel sobre emprego e entregue ao ministro juntamente com toda a documentação sobre as denúncias e provas contra a atitude desrespeitosa do HSBC.

 No dia 18, o Sindicato dos Bancários de Curitiba convocou uma entrevista coletiva em que fez uma grave denúncia contra atitudes do banco que configuravam em violação dos direitos humanos dos trabalhadores. Em 2011, a entidade recebeu, anonimamente, um arquivo contendo dossiês e demais documentos de uma suposta investigação confidencial contratada pelo banco inglês. Os materiais, produzidos pela SPI Agência de Informações Confidenciais, continham informações sobre 164 bancários afastados por motivo de saúde, em sua maioria trabalhadores de Curitiba e Região, do restante do estado do Paraná e também dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Os dossiês produzidos entre 1999 e 2002 continham fotos dos investigados e dos seus familiares, relatório completo da rotina dos trabalhadores, documentação relativa a antecedentes criminais e demais pendências judiciais, certidões comerciais e de bens, a quebra de sigilo bancário dos investigados, além de 18 horas de gravação de imagens. Com essa atitude, o banco extrapolou todos os limites, ao invadir a privacidade dos seus empregados, já que nos documentos da investigação constam até fotos do lixo dos bancários, especulando que tipo de comida, bebida ou medicamentos eles faziam uso.

Em julho de 2011, com o intuito de reparar o dano coletivo e não incorrer na prescrição, o Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região formalizou a denúncia contra o HSBC junto ao Ministério Público do Trabalho e encaminhou o material recebido anonimamente para investigação e apuração dos fatos.
Ao entregar o documento ao ministro do Trabalho, o presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região relatou ao ministro Brizola Neto os métodos de investigação utilizados pelo banco e solicitou ajuda para “punir exemplarmente esse banco que não merece nosso respeito”.

O ministro Brizola Neto disse que o ministério vai apurar essa denúncia e se comprometeu a encaminhar os fatos para a presidente Dilma. Também garantiu que se as denúncias forem comprovadas vai atuar para que o banco HSBC seja punido. “Também vamos chamar o HSBC para um diálogo social, para deixar claro que o Ministério do Trabalho tem o compromisso com o elo mais fraco das relações de trabalho, que são os trabalhadores”, confirmou Brizola Neto na presença de quase 700 bancários presentes na Conferência.

O funcionário do HSBC e diretor do Sindicato Giovanni Alexandrino, criticou duramente a postura desrespeitosa do banco. “É um absurdo que o banco exponha seus funcionários a uma grave situação como esta, principalmente quando os trabalhadores estão fragilizados pelo adoecimento no ambiente de trabalho. É muito triste trabalhar numa empresa que vigia os funcionários”, afirmou. Giovanni lembrou ainda que em 2001, o HSBC instalou escutas telefônicas na sede do Sindicato dos Bancários de Curitiba para vigiar os diretores, os funcionários e os familiares dos sindicalistas.
Para o diretor do Sindicato e funcionário do banco, Geraldo Rodrigues, o HSBC não está cumprindo as normas de prevenção de lavagem de dinheiro. “É bom lembrar que recentemente o banco foi condenado pela justiça dos Estados Unidos por lavagem de dinheiro de narcotráfico e terrorismo internacional”, ressaltou.

Compartilhe: