Foto: Alessandro Carvalho

 

Em defesa dos bancos públicos e do papel destas instituições no desenvolvimento do Brasil, bancárias e bancários realizaram mais uma mesa temática neste sábado, 29. Para conversar com os participantes, estiveram presentes a ex-presidenta da CAIXA, Maria Fernanda Coelho, e a representante dos empregados no Conselho de Administração da CAIXA, Rita Serrano.

Em sua análise, Maria Fernanda Coelho destacou o atual momento político vivido no Brasil, com um governo federal que tem como projeto a destruição. A ex-presidenta da CAIXA afirmou que a eleição de Bolsonaro se deu com base na disseminação de mentiras, que encontraram eco, e também com apelo aos medos dos brasileiros.

Neste sentido, se dá também o ataque aos bancos públicos, que vêm mudando o seu papel social. Na CAIXA, como relatou Maria Fernanda, “não há mais nenhum recurso destinado a investimentos. Eles têm o objetivo de destruir as empresas públicas por dentro”.

Na mesma linha, Rita Serrano ressaltou que o discurso veiculado pela mídia liga as empresas públicas com corrupção e ineficiência. “Temos que discutir esse conceito para avançar no debate com a população. Para mim, a corrupção é inerente ao sistema capitalista e não é privatizando que se resolve o problema. O que é preciso é aumentar o controle social sobre estas empresas”, afirmou.

A conselheira explicou também que não é verdade que a valorização das empresas públicas representa um atraso para o país. Entre os exemplos citados por Rita, estão os Estados Unidos, com 7 mil empresas estatais, a União Europeia, que tem um quarto de suas maiores empresas com controle estatal, e a China, onde 95% do crédito é público.

“Os países têm empresas públicas porque eles precisam ter controle sobre seu próprio desenvolvimento, assim como todos querem proteger seu próprio mercado. É uma questão de soberania nacional, que passa pelo fato de que o Brasil está sendo entregue para as multinacionais, grande parte delas estatais de outros países que vão gerar desenvolvimento fora daqui”, destacou Rita Serrano.

Os ataques aos bancos públicos por parte do governo já afetam a CAIXA, segundo a conselheira eleita. Isto passa pela descapitalização dos bancos, pela entrega de ativos, a venda de ações de outras empresas, as ameaças de privatização da área de cartões e seguros, de fundos administrados – que são a área de mais rentabilidade no banco – e o fim do FAT.

“O cenário é esse e temos que estudar e ter argumentos para debater com a população. É preciso dialogar e combater o discurso da imprensa de que tudo que é público não funciona e é corrupto .ou a gente aprende a dialogar. Nosso papel é preparar o campo para vencer daqui a pouco e, para isso, temos que dialogar também com quem pensa diferente”, concluiu Rita.

 

Compartilhe: