Foto: Contraf-CUT

 

Representantes dos trabalhadores do Bradesco de todo o país concluíram, na manhã desta sexta-feira, 8, os debates para atualização da pauta de reivindicações específicas que será entregue ao banco na próxima segunda-feira, 11 de junho.

A Campanha Nacional 2018 terá como palco a difícil conjuntura resultante do golpe que colocou no poder um projeto de governo sem respaldo popular caracterizado pelo desmonte do patrimônio público e que gerou o aumento do desemprego e a retirada de inúmeros direitos trabalhistas e sociais.

Mas, para o Bradesco, a realidade é diferente. Mesmo durante uma das mais profundas crises econômicas da história do país, o banco obteve o maior resultado da sua história, em 2017, e lucrou R$ 19 bilhões, crescimento de 11% em relação a 2016.

A façanha é explicada pela mudança na forma de atuação do banco, que consiste em cada vez mais diminuir sua carteira de crédito, aumentar preços das tarifas e serviços cobrados dos clientes, reduzir postos de trabalho, fechar agências, além de investir cada vez mais nas plataformas virtuais (internet banking e aplicativo) e em operações de tesouraria, como aplicações em títulos e em ações negociadas na bolsa de valores.

Em setembro de 2016, o balanço do banco mostrava aumento de 20.498 trabalhadores em função da aquisição do HSBC. Porém, desde então, já foram fechados 12.329 postos de trabalho. Portanto, 60% do aumento do emprego resultante da aquisição do HSBC já foi extinta pelo Bradesco.

Além disso, em julho de 2017, o Bradesco lançou o Plano de Desligamento Voluntário Especial (PDVE), ao qual aderiram 7,4 mil trabalhadores. O custo do plano foi de R$ 2,3 bilhões, mas o efeito anual estimado é uma redução de custos de R$ 1,5 bilhão por ano. Ou seja, o banco gastou R$ 2,3 bilhões com o PDVE, mas em um ano e meio já terá coberto essa despesa.

Somente nos primeiros três meses de 2018, foram eliminados mais 1.215 postos de trabalho. E o Bradesco não está reduzindo apenas postos de trabalho. Das 845 agências obtidas com a aquisição do HSBC, 629 já foram fechadas.

Prejuízos socializados e lucros cada vez maiores e exclusivos

Já para os acionistas do banco, os últimos anos foram muito mais favoráveis. Em 2012, o Bradesco distribuiu R$ 3,89 bilhões em dividendos e juros de capital próprio. Uma cifra totalmente livre de impostos graças a uma lei sancionada por Fernando Henrique Cardoso em 1995 (Lei 9.249/95). Em 2017, foram distribuídos R$ 7,02 bilhões. Aumento de mais de 80%.

Os dados comprovam que o Bradesco contribui cada vez menos para o desenvolvimento econômico e social do país, concentrando os ganhos nas mãos de poucos e socializando prejuízos entre a imensa maioria da população.

Delegadas e delegados do Encontro Nacional destacaram como prioridade exigir do Bradesco mais responsabilidade social por meio da defesa dos empregos, ampliação dos postos de trabalho, garantias das cláusulas do acordo coletivo, e mais crédito para o desenvolvimento da economia.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Rede Nacional dos Bancários

 

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