Bancárias e bancários de BH e região se uniram ao movimento nacional e entraram em greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira, 19, para combater a intransigência dos banqueiros e das direções dos bancos federais. Em assembleia realizada no dia 12 de setembro, na sede do Sindicato, centenas de bancários decidiram pela paralisação das atividades como única forma de pressionar os bancos a atender suas justas reivindicações.

A concentração dos bancários para as manifestações teve início às 11h30 em frente à agência Século da CAIXA, na Praça Sete, no centro de Belo Horizonte.

Após diversas rodadas de negociações, a Fenaban apresentou uma proposta que prevê reajuste de apenas 6,1%, o que significa a reposição da inflação sem qualquer aumento real. Além disso, diversas reivindicações ligadas às condições de trabalho, emprego, melhoria da PLR e outros direitos não foram sequer citadas na proposta, que foi recusada ainda na mesa de negociação pelo Comando Nacional dos Bancários.

Entre os bancos públicos federais, o Banco do Brasil apresentou proposta insuficiente em relação às reivindicações específicas dos funcionários, deixando de atender diversos pontos essenciais da pauta. Já a CAIXA desrespeitou os empregados e sequer apresentou proposta após a realização das mesas de negociação.

Com os lucros exorbitantes obtidos no primeiro semestre de 2013, fica claro que os bancos têm condições de oferecer mais. Durante o período, somente os seis maiores bancos que atuam no Brasil lucraram uma soma de R$ 29,6 bilhões. Porém, eles insistem em não oferecer condições dignas de trabalho e em demitir bancários, os grandes responsáveis por seus grandes resultados. Os trabalhadores sofrem com as metas abusivas, o assédio moral, que leva ao adoecimento, e com a falta de funcionários em agências, o que precariza o atendimento e prejudica não só os bancários, mas toda a população.

Foi através de grandes mobilizações e greves que, desde 2004, os bancários conquistaram 16,22% de aumento real nos salários e 35,57% no piso. Essas conquistas foram fruto da força da categoria através de campanhas unificadas nos bancos públicos e privados.

O presidente do Sindicato, Cardoso, ressaltou a importância da participação de todos neste momento inicial da greve quando cada adesão é contada como uma conquista. “Nós sabemos que somente com uma grande mobilização e uma greve forte faremos uma campanha salarial vitoriosa. Daí, a importância de cada bancário e cada bancária marcar sua presença nas assembleias e demais atividades do Sindicato. Este é o momento de conversar e convencer o colega e a colega de que somente com muita união iremos arrancar uma proposta digna que atenda as nossas justas reivindicações”, afirmou.

As reivindicações gerais dos bancários

> Reajuste salarial de 11,93% (5% de aumento real além da inflação)
> PLR: três salários mais R$ 5.553,15.
> Piso: R$ 2.860,21 (salário mínimo do Dieese).
> Auxílios alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$ 678 ao mês para cada (salário mínimo nacional).
> Melhores condições de trabalho, com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoece os bancários.
> Emprego: fim das demissões, mais contratações, aumento da inclusão bancária, combate às terceirizações, especialmente ao PL 4330 que precariza as condições de trabalho, além da aplicação da Convenção 158 da OIT, que proíbe as dispensas imotivadas.
> Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.
> Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós-graduação.
> Prevenção contra assaltos e sequestros, com o fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários.
> Igualdade de oportunidades para bancários e bancárias, com a contratação de pelo menos 20% de negros e negras.

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