Fotos: Alessandro Carvalho

A greve da categoria bancária começou forte na base de Belo Horizonte e região nesta terça-feira, 6 de outubro, com a paralisação das atividades em 25% das unidades de trabalho. Diante da indiferença dos bancos em relação às reivindicações da categoria, bancárias e bancários foram às ruas para exigir uma proposta decente e realizaram ato em frente à Agência Século da CAIXA.

Durante o ato, os trabalhadores denunciaram a grave situação vivida nos bancos, com metas abusivas, assédio moral, falta de segurança e a falta de funcionários, que prejudica também o atendimento prestado à população. A manifestação contou com a apresentação de esquete teatral da Cia dos Aflitos, que chamou a atenção de quem passava pelo local para os problemas enfrentados por bancárias e bancários.

A mobilização continua nesta quarta-feira, 7. Desta vez, a concentração será realizada em frente à Agência Centro do Banco do Brasil, na rua Rio de Janeiro, 750, no centro de Belo Horizonte, a partir das 11h.

Os banqueiros lucram como ninguém no Brasil, mas seguem desrespeitando bancários, seus clientes, usuários e a sociedade brasileira em geral. Somente nos seis primeiros meses de 2015, os lucros dos cinco maiores bancos chegaram a R$ 36,3 bilhões, com crescimento de 27,3% na comparação com o primeiro semestre de 2014.

Além disso, os bancos exploram a população brasileira com tarifas e juros altíssimos. De acordo com pesquisa realizada pela Proteste Associação de consumidores, que foi repercutida pela mídia em todo o país, as tarifas cobradas pelos oito maiores bancos do Brasil subiram 169% desde janeiro de 2013 – um aumento até 8,6 vezes maior que a inflação do período.

A categoria reivindica 16% de reajuste (incluindo reposição da inflação mais 5,7% de aumento real), entre outras pautas, como o fim do assédio moral e das metas abusivas. A Fenaban ofereceu apenas 5,5%, o que representa perda real de 4% para os salários e demais verbas da categoria.

Outra proposta rechaçada pelos bancários foi o abono de R$2.500,00, o qual não se integra ao salário, tem incidência de imposto de renda e INSS, além de representar total retrocesso em relação aos últimos anos. Entre 2004 e 2014, os bancários conquistaram, com muita mobilização, 20,7% de ganho real nos salários e 42,1% nos pisos.

“Mostramos a força de nossa categoria neste primeiro dia de greve e reforçaremos nossa mobilização para pressionar os banqueiros por uma proposta justa e que reconheça o esforço diário de bancárias e bancários. Com muita garra e determinação, estamos em greve para exigir respeito e defender os direitos da categoria bancária, contra qualquer retrocesso. Exploração não tem perdão!”, afirmou a presidenta do Sindicato, Eliana Brasil.

Reivindicações da categoria na Campanha Nacional 2015

Reajuste salarial de 16% (incluindo reposição da inflação mais 5,7% de aumento real).

PLR de 3 salários mais R$7.246,82.

Piso: R$3.299,66 (equivalente ao salário mínimo do Dieese).

Vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$788,00 ao mês para cada (salário mínimo nacional).

Melhores condições de trabalho com o fim das metas abusivas e do assédio moral.

Fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade, combate às terceirizações e pela ratificação da Convenção 158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas.

Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos.

Pagamento de auxílio-educação para graduação e pós.

Prevenção contra assaltos e sequestros: permanência de vigilantes nas unidades, portas de segurança na entrada do autoatendimento, biombos, abertura e fechamento remoto das agências e fim da guarda das chaves por funcionários.

Igualdade de oportunidades, com o fim das discriminações nos salários e na ascensão profissional.

 

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