Foi realizada, no dia 10 de fevereiro, uma reunião da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco em São Paulo, onde foram discutidas várias reivindicações dos trabalhadores em negociação com o banco. Estiveram em pauta questões como o programa de “reabilitação” profissional, auxílio-educação, acordo de ponto-eletrônico. O Dieese também fez uma análise do balanço de 2014.

A COE retomou o tema do retorno ao trabalho tomando por base a proposta elaborada e apresentada pelo Bradesco no ano passado. O programa do banco contém inúmeros problemas em relação às legislações vigentes e prioriza a adaptação do trabalhador ao local de trabalho, não prevendo a mudança do ambiente estrutural e das condições de trabalho para receber o bancário que ficou afastado.

São inúmeros os problemas apontados pelos trabalhadores na proposta do Bradesco em relação à reabilitação:

– não está em sintonia com a Norma Internacional SA 8000, que inclui todos os requisitos para uma correta avaliação das condições do local de trabalho;

– fere a legislação nacional e internacional, especialmente quando desconsidera as Convenções da OIT das quais o Brasil é signatário;

– descumpre a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) por interferir no afastamento dos trabalhadores e não garantir a participação do sindicato e dos próprios trabalhadores no processo;

– reforça a “gestão dos atestados médicos” ao querer que as entidades sindicais assinem Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) permitindo ao médico do trabalho tal atribuição;

– não contempla nenhum mecanismo de controle do programa por parte dos sindicatos, CIPAs e dos próprios “reabilitandos”;

– reforça a questão da “readaptação” dos trabalhadores às condições de trabalho. O correto é a “readaptação” dos processos e organização do trabalho às condições do ser humano;

– não informa qual o universo de homens e mulheres farão parte do programa. Quantas pessoas são? Afastados ou não? Afastados por acidente do trabalho ou doença comum? Tempo de banco? Função? Classificação Estatística Internacional de Doença (CID) que ocasionou o afastamento?

O movimento sindical está solicitando negociação com o Bradesco para tratar do tema no começo de março. Os representantes dos empregados devem elaborar um documento denunciando os problemas e protocolá-lo junto ao banco.

A reunião do dia 10 de fevereiro contou também com a participação da advogada Leonor Poço, assessora jurídica da Contraf-CUT e especialista em Saúde do Trabalhador.

Lucro possibilita mais empregos e novas conquistas

Durante a reunião, o Dieese fez uma apresentação detalhada do balanço de 2014, frisando o lucro recorde de R$ 15,359 bilhões, crescimento de 25,9% em comparação com 2013.

Em relação ao terceiro trimestre, o Bradesco registrou alta de 4,6%, com lucro de R$ 4,132 bilhões. O retorno anual sobre o patrimônio líquido médio foi de 20,1% (2,1 pontos percentuais a mais do que em dezembro de 2013).

Apesar dos ganhos exorbitantes, o banco fechou 4.969 postos de trabalho em 2014, andando mais uma vez na contramão da economia brasileira, que no ano passado gerou 396.993 novas vagas.

Conforme o Dieese, o número de empregados da holding em dezembro de 2014 foi de 95.520, contra 100.489 funcionários em dezembro de 2013 , representando uma queda de 4,9%.

Acordo de ponto eletrônico

A renovação acordo coletivo sobre sistema alternativo eletrônico de controle de jornada de trabalho também foi discutida. O acordo vence no final de fevereiro e os sindicatos de todo o Brasil realizam assembleias de funcionários sobre o tema.

O Bradesco realiza testes para que o ponto seja atrelado ao sistema, o que trará eficiência ao processo de trabalho. Atualmente, ainda há casos de bancários que batem o ponto e continuam trabalhando devido ao excesso de serviços a ser realizados.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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