BancodoFuturo_25jun

Os debates da 18ª Conferência Estadual prosseguiram na tarde deste sábado, 25, em Sete Lagoas, com uma exposição sobre o banco do futuro e a apresentação de análise do Dieese sobre o atual cenário econômico e a situação dos bancos. O evento prossegue até amanhã, dia 26 de junho.

O painel sobre o banco do futuro e as inovações tecnológicas foi conduzido pela especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Unicamp e doutora em Sociologia do Trabalho pela USP, Ana Tércia, que também é diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo e da Fetec-SP. A presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, coordenou os trabalhos da mesa.

Ana Tércia tratou das tendências tecnológicas que afetam e afetarão diretamente a organização do trabalho bancário e o número de postos de trabalho em todo o Brasil. Segundo a bancária, os pilares da reestruturação produtiva no setor são as fusões e privatizações; as novas formas de organização do trabalho, seja nas jornadas, salários ou formas de contratação; e o uso de novas tecnologias.

Além da migração das transações para os meios virtuais, como internet banking e smartphones, e a queda no número de operações realizadas nas agências físicas e nos caixas de autoatendimento, cresce também no Brasil a desintermediação bancária. Diversas empresas já oferecem transações sem a necessidade dos bancos intermediando o processo, o que também representa mudanças e mais um desafio para a organização da categoria.

A bancária destacou ainda diversos processos em curso no setor bancário, como o crescimento das agências digitais, o horário estendido de atendimento nas agências, a criação de caixas de autoatendimento com mais funções, compensação de cheques através do celular, o aumento do controle por parte do banco de todas as atividades desempenhadas pelos funcionários, trabalho remoto e home office.

Para Ana Tércia, as entidades representativas dos bancários devem estar à frente neste debate, reconhecendo que existirão mudanças decorrentes da tecnologia, mas defendendo sempre o trabalho e os direitos dos trabalhadores. “No atual cenário de corte de postos de trabalho nos bancos, é preciso considerar os avanços, mas preservar sempre o atendimento presencial com qualidade, respeitando a necessidade dos clientes”, afirmou.

Balanço dos bancos

A economista e técnica do Dieese na Subseção da Contraf-CUT, Vivian Machado, apresentou aos delegados e delegadas um panorama sobre a atual situação econômica brasileira e também os balanços dos maiores bancos do país.

Conforme a análise, mesmo no atual cenário de recessão da economia, os bancos seguem obtendo lucros bilionários. Em 2015, os cinco maiores bancos registraram R$ 69,9 bilhoes de lucro. Apesar disso, foram cortados 11.305 postos de trabalho entre março de 2015 e março de 2016. De acordo com Vivian, as hipóteses para os cortes incluem a terceirização e a adoção de sistemas automatizados.

Outro dado importante revela que as receitas secundárias dos bancos, que são as relativas às tarifas bancárias e a prestação de serviços, continua cobrindo com folga as despesas de pessoal por parte dos bancos.

Preocupa também o fechamento de agências, que cresce no Banco do Brasil, no Bradesco e no Itaú. Em 2015, somente a CAIXA e o Santander abriram novas agências, mas o número foi inexpressivo diante da demanda, totalizando 16 unidades na soma dos dois bancos.

Compartilhe: