A federação dos bancos (Fenaban) apresentou ao Comando Nacional dos Bancários, nesta sexta-feira, 25 de setembro, proposta de 5,5% de reajuste para salários e vales, o que nem chega perto de repor a inflação de 9,88% (INPC), e representaria perdas de 4%. A proposta prevê, ainda, abono de R$ 2,5 mil.

O Comando Nacional se reuniu após a realização da mesa e avaliou que a proposta representa um descaso com a categoria, que afeta toda a população do Brasil. Com isso, será realizada assembleia no Sindicato no dia 1º de outubro e o indicativo do Comando é que a greve tenha início no dia 6 de outubro.

Um Dia Nacional de Luta para pressionar os bancos por uma proposta decente também já foi agendado para 29 de setembro. Além disso, uma nova reunião do Comando Nacional dos Bancários será realizada no dia 2 de outubro para debater estratégias para a Campanha Nacional 2015.

Na mesa desta sexta, a Fenaban alegou que acordos de outras categorias fechados em julho e agosto estão em formato diferente de anos anteriores. O Comando rebateu este argumento, lembrando que 69% dos acordos fechados no primeiro semestre tiveram aumento real e, quando isso não aconteceu, foi em setores com prejuízo e que têm garantia de emprego, totalmente diferente do sistema financeiro, que ganha cada vez mais.

O lucro líquido dos cinco maiores bancos atuantes no Brasil (Banco do Brasil, CAIXA, Bradesco, Itaú e Santander), nos seis primeiros meses do ano, atingiu a marca de R$ 36,3 bilhões, um crescimento de 27,3% na comparação com o primeiro semestre de 2014.

“A proposta apresentada pela Fenaban representa total desrespeito aos bancários e às bancárias do Brasil. Não aceitaremos que nossas reivindicações sejam tratadas com tamanho descaso. Principalmente diante dos lucros exorbitantes obtidos pelos bancos através dos esforços diários da categoria. É hora de ampliar a mobilização e mostrar nossa força e organização. Para isso, a participação de todas e todos no Dia Nacional de Luta de 29 de setembro e na assembleia do dia 1º é fundamental”, afirmou a presidenta do Sindicato, Eliana Brasil.

PLR

Para a PLR, a proposta é manter a regra, somente reajustada pelos 5,5% (90% do salário mais R$ 1.939,08). A parcela adicional, que distribui 2,2% do lucro líquido, sofreria o mesmo reajuste de 5,5%, podendo chegar a no máximo R$ 3.878,16.

CAIXA e Banco do Brasil

A Contraf-CUT formalizou pedido de negociação às direções do Banco do Brasil e da Caixa Federal, mas elas ignoraram. Os bancos públicos sequer se posicionaram em relação a uma data para dar continuidade aos debates específicos da Campanha Nacional Unificada 2015.

Reivindicações da categoria

Reajuste salarial de 16% (incluindo reposição da inflação mais 5,7% de aumento real).

PLR: 3 salários mais R$7.246,82.

Piso: R$3.299,66 (equivalente ao salário mínimo do Dieese em valores de junho último).

Vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$788,00 ao mês para cada (salário mínimo nacional).

Melhores condições de trabalho com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoecem os bancários.

Emprego: fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PLC 30/15 no Senado Federal, além da ratificação da Convenção 158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas.

Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.

Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós.

Prevenção contra assaltos e sequestros: permanência de dois vigilantes por andar nas agências e pontos de serviços bancários, conforme legislação. Instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento e biombos nos caixas. Abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda das chaves por funcionários.

Igualdade de oportunidades: fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência (PCDs).



 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com SEEB-SP

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