Foto: Alessandro Carvalho

Bancárias e bancários se somaram à luta de centenas de milhares de trabalhadores brasileiros neste 15 de março, Dia Nacional de Paralisação. Funcionários de bancos públicos e privados mostraram determinação e paralisaram suas atividades em agências e prédios na base do Sindicato, tanto em Belo Horizonte quanto no interior, nas cidades de Conselheiro Lafaiete e Lagoa Santa. Diversas categorias e movimentos sociais tomaram as ruas, nesta quarta-feira, para dizer não às reformas da Previdência e trabalhista de Michel Temer e defender as empresas públicas.

O Sindicato realizou um ato na Praça Sete, chamando a atenção da população para as ameaças presentes nas reformas propostas por Temer. Trabalhadores bancários se juntaram também à manifestação que vinha da Praça da Estação e seguiram em marcha até a praça em frente à Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde foi realizada uma Audiência Pública com participação de Carlos Gabas, ex-ministro da Previdência Social no governo Dilma.

As paralisações deste 15 de março ocorrem em todo o país e mobilizam categorias como bancários, professores, trabalhadores de empresas de transporte coletivo, Correios, empresas de limpeza urbana, entre diversas outras. O forte movimento deixa claro que os brasileiros não aceitarão a perda de direitos que o governo tenta impor.

“A adesão espontânea de bancárias e bancários mostra que todos estão atentos para os riscos que corremos diante dos ataques do governo Temer. Não podemos aceitar que acabem com nossa Previdência, que precarizem as relações de trabalho através da reforma trabalhista ou que destruam este grande patrimônio dos brasileiros que são os bancos públicos. O governo já mostrou a que veio e tenta fazer com que os trabalhadores paguem o pato. Mostramos nossa força neste importante Dia Nacional de Paralisação e seguiremos mobilizados contra estas ameaças ”, afirmou a presidenta do Sindicato, Eliana Brasil.

Foto: Alessandro Carvalho

Reforma da Previdência que acabar com sua aposentadoria

A nefasta reforma da Previdência proposta pelo governo Temer pretende, na prática, impedir o acesso de milhões de trabalhadores à aposentadoria. Com o aumento no tempo de contribuição e na idade mínima, que seria igualada para homens e mulheres, além de cortes em pensões por mortes e no Benefício de Prestação Continuada (BPC), a proposta atinge em cheio os trabalhadores.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, que foi enviada ao Congresso pelo governo, prevê que a idade mínima para se aposentar, tanto para homens quanto para mulheres, seja de 65 anos. A regra impõe ainda um tempo mínimo de contribuição de 25 anos. Porém, para se aposentar com o benefício integral, será necessário contribuir por 49 anos.

Para convencer a população de que a reforma é necessária e de que há um rombo na Previdência, o governo Temer manipula e retira alguns tipos de arrecadação da conta final, como o Confins, CSLL, PIS/PASEP, entre outras fontes. De acordo com cálculos feitos pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, a Previdência na realidade encerrou 2015 com saldo positivo de R$ 11 bilhões se forem consideradas estas arrecadações.

Reforma trabalhista escraviza trabalhadores

O PL 6.787/2016, projeto de lei (PL) da reforma trabalhista de Temer também representa um grande ataque contra as conquistas dos trabalhadores brasileiros. Com a justificativa de “modernizar” as relações de trabalho, o projeto flexibiliza e ameaça direitos consolidados.

Ao sugerir a alteração do Artigo 611 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o governo Temer pretende que aquilo que for negociado entre os trabalhadores e os patrões prevaleça sobre o que é determinado pela lei trabalhista. A proposta ignora a desigualdade de forças entre patrões e empregados e permite que empresas imponham condições piores de trabalho.

Outra pauta prioritária do governo e que visa acabar com direitos é a terceirização ampla e irrestrita. Temer é favorável a projetos que tramitam no Congresso e que pretendem permitir a terceirização de todas as funções dentro das empresas. Isto levaria à redução nos salários, à perda de direitos, aumento nas jornadas, menos segurança nos locais de trabalho e o enfraquecimento da organização dos trabalhadores.

Em defesa dos bancos públicos

A política econômica do atual governo é dirigida pelos interesses do capital financeiro e dos bancos privados. Por isso, Temer já articula um desmonte em instituições fundamentais para o desenvolvimento do país, que são os bancos públicos. O ataque se dá não apenas aos bancos federais, já que o governo tenta impor, como condição para renegociar dívidas dos estados, a privatização de empresas públicas estaduais.

Os bancos públicos surgiram e se fortaleceram no Brasil durante governos que assumiram responsabilidades no plano social. Sua lógica, portanto, é frontalmente oposta à dos bancos privados, que vivem do endividamento de governos, empresas e pessoas.

Exemplos do desmonte que Temer já vem promovendo são os planos de reestruturação, com fechamento de agências e redução de salários, e o estímulo aos desligamentos voluntários, reduzindo drasticamente o número de trabalhadores nos bancos públicos.

A defesa dos bancos públicos é a defesa do Brasil e do desenvolvimento econômico do país com mais distribuição de renda e justiça social.

Foto: Alessandro Carvalho

 

Confira mais imagens deste Dia Nacional de Paralisação em Belo Horizonte:

(Fotos: Alessandro Carvalho)

Compartilhe: