Em reunião realizada por videoconferência, nesta quarta-feira, 22, com a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), o Banco do Brasil confirmou que foi uma opção administrativa a determinação de que “funcionário com autodeclaração de coabitação (com pessoas que fazem parte de grupos de risco da Covid-19) passa a se enquadrar nas formas de trabalho disponíveis, como os demais funcionários do banco que não pertençam ao grupo de risco, a partir de 27/07/2020”, não tendo nenhuma relação com o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) Emergencial (Covid-19).

O banco disse que não vai rever a medida, mas que o comunicado não implica na convocação de todos os funcionários que coabitam com pessoas de risco à Covid-19 para retomarem o trabalho presencial. Segundo o BB, se gestores assim o fizeram, é por terem entendido errado a mensagem, ou por estarem necessitando de pessoal para realizar os trabalhos presenciais. O banco possui 11.662 funcionários que se autodeclararam como coabitantes com pessoas de grupos de risco que podem ser atingidos.

“O Banco do Brasil é o único banco do país que decidiu recolocar estes funcionários como aptos para o trabalho presencial. O banco precisa ter a ciência de que pode estar colocando a vida de familiares de seus funcionários em risco e, caso haja alguma morte destas pessoas, tanto o banco quanto o gestor que tomou essa decisão poderão ser apontados como responsáveis pela morte”, observou o coordenador da CEBB, João Fukunaga.

Segundo o coordenador da CEBB, é o governo federal, como controlador do Banco do Brasil, que pressiona pela aplicação da Portaria Conjunta nº 20, de 18/06/2020, do Ministério da Economia/Secretaria Especial de Previdência e Trabalho e Ministério da Saúde, que altera a caracterização dos grupos de risco.

Retratação

Os representantes dos funcionários cobraram do Banco Brasil uma retratação por alguns gestores terem afirmado que a medida estava respaldada no ACT Emergencial da Covid-19. “Diversos gestores fizeram tal afirmação, mas não há nada no nosso acordo sobre isso”, disse Fukunaga.

Ainda durante a reunião, a Diretoria de Pessoas Regional de São Paulo fez uma retratação sobre o equívoco e encaminhou ao gestor que mandou mensagem aos funcionários fazendo tal afirmação.

Definição da data

Outro ponto de questionamento foi a definição do dia 27 para o retorno ao trabalho.

“Não achamos que é momento de promover o retorno ao trabalho presencial. Vemos os gráficos de contágio e mortes aumentando em todos os lugares onde houve flexibilização das medidas de controle da doença. Por isso, queríamos entender quais os critérios foram levados em consideração para a definição do dia 27 de julho para que isso aconteça”, ressaltou a diretora do Sindicato e representante da Fetrafi/MG-CUT, Luciana Bagno. “Nenhuma das explicações trazidas pelo banco são justificáveis”, completou.

O banco afirmou que resolveu deixar uma semana para que as pessoas pudessem encontrar alguma forma para não colocar as pessoas que moram com elas em risco.

Para os trabalhadores, a data precisa ser revista e levar em consideração a situação do país. Além disso, é preciso considerar as pessoas que possuem filhos em idade escolar, já que as escolas não voltaram a funcionar, assim como o transporte público que não está funcionando em algumas cidades.

Resultados

Os representantes do Banco do Brasil disseram que fariam uma nova reunião com os gestores para deixar claro que a medida se trata de uma opção administrativa do banco e não tem nenhuma relação com o ACT Emergencial (Covid-19) e que, além do trabalho presencial, existem outras opções para que os funcionários cumpram seu expediente, inclusive a manutenção do home office.

Também fariam uma reunião para ver se há a possibilidade da emissão de um novo comunicado esclarecendo estes pontos e para verificar se existe a possibilidade de alteração ou suspensão da data de retomada do trabalho presencial.

Os representantes do BB não se comprometeram com nenhuma das duas sugestões, mas afirmaram que tentariam realizar a reunião ainda na quarta-feira para dar resposta à representação dos funcionários o quanto antes.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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