Foto: Guina Ferraz

Em mais uma das rodadas de negociação sobre a reestruturação entre representantes dos funcionários e o BB, o banco afirmou que não prorrogará a Vantagem de Caráter Pessoal (VCP) – verba que garantia o complemento salarial dos funcionários prejudicados pela reestruturação que extinguiu e cortou milhares de cargos no BB.

Nesta quinta-feira, 1º de junho, o número de bancárias e bancários que não conseguiram a realocação e perderão os salários dos cargos anteriores já chegava a 2.100. Além disso, outros 1.600 que estavam realocados em cargos inferiores também terão seus salários reduzidos.

Os representantes dos funcionários insistiram para que houvesse a prorrogação da VCP considerando que, em centenas de casos, a redução salarial será de mais de 70% das verbas totais do funcionário.

Os representantes da Comissão de Empresa dos Funcionários voltaram a cobrar do banco sobre as condições de trabalho nas agências que absorveram clientes de agências fechadas. Segundo os relatos dos sindicatos, muitas agências, mesmo que não tenham recebido carteiras de clientes, acabaram por receber um fluxo bem maior de clientes que o previsto devido à proximidade geográfica.

O banco informou que houve revisão de dotação de algumas agências com um projeto piloto de revisão iniciado em São Paulo e que vai ser espalhado para todos os locais. O grupo que está analisando a revisão de dotação é composto de superintendências com participação das Gepes, que farão coleta de dados sobre o atendimento e posteriormente divulgarão um plano de ação.

Sobre as nomeações, foi informado pelo BB que o TAO Especial e o TAO Normal continuarão abertos e fazendo recrutamento ao mesmo tempo, sendo que nos dois serão priorizados os funcionários que estavam em VCP.

Pontuação na carreira de mérito durante VCP

Os representantes dos funcionários reivindicaram junto ao banco que, na Carreira de Mérito, fosse acrescida aos funcionários em VCP a mesma pontuação diária do cargo anterior, como forma de minimizar as grandes perdas salariais provocadas pela reestruturação.

Nomeação dos caixas

Os trabalhadores cobraram do banco a nomeação dos caixas que estão em substituição há mais de 90 dias como forma de reconhecimento de que a função é necessária na agência. Existem relatos de caixas em substituição há quase dois anos sem nomeação.

Prorrogação das horas extras opcionais do novo plano de funções

A Comissão de Empresa dos Funcionários reivindicou do banco a prorrogação do prazo para os funcionários que aderiram à jornada de 6 horas no novo plano de funções. Foi reivindicado também que o prazo seja contado a partir da adesão à nova jornada reduzida. O BB informou que cerca de 1.800 funcionários aderiram à jornada de 6 horas no novo plano.

Escritórios digitais

O banco informou que há um esboço de cronograma de implantação de novos escritórios digitais e que está dependendo de várias áreas para que seja divulgado.

A Comissão de Empresa relatou muitos problemas nas condições de trabalho nos escritórios digitais, tais como mobiliário, barulhos, sistemas e forma de cobrança de metas. Os trabalhadores cobram a aplicação da NR-17 para o ambiente dos escritórios digitais, uma vez que se tornaram uma grande central de telemarketing.

O banco entrará em contato com as áreas gestoras dos escritórios digitais para que seja agendada nova mesa para debater o tema.

Greve geral do dia 28

O Banco do Brasil afirmou que não vai negociar abono nem compensação de horas referente à Greve Geral convocadas pelas Centrais Sindicais em 28 de abril contra a reforma da Previdência, reforma trabalhista e terceirização sem limites.

Os sindicatos aguardavam uma resposta do banco em relação a essa negociação, uma vez que vários tribunais regionais do trabalho e o Ministério Público do Trabalho reconheceram o direito de reivindicação dos trabalhadores.

A Contraf-CUT enviará aos sindicatos orientações jurídicas aos sindicatos para que seja feita a defesa dos funcionários do BB.

Agências explodidas serão fechadas

O banco informou, em apresentação na intranet da empresa, que dezenas de agências explodidas serão fechadas definitivamente. Essa informação foi confirmada na mesa de segurança da SECASP e relatada pelos representantes da Contraf-CUT naquele fórum.

A Comissão de Empresa manifestou sua preocupação com a informação, uma vez que o banco já fechou centenas de agências neste ano. O banco vai verificar as informações e reportará a Contraf-CUT.

Mesa temática de saúde e igualdade de oportunidades

A Mesa de Saúde será retomada assim que definida junto à Mesa Bipartite da Fenaban que está tratando das cláusulas da Convenção Coletiva sobre realocação e reinserção de funcionários.

Ficou acordado entre o banco e a Contraf que, na próxima semana, será agendada a instalação da Mesa Temática de Igualdade de Oportunidades. A equidade de gênero será o primeiro discutido.

Para Wagner Nascimento, diretor do Sindicato e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, a não prorrogação da verba que garante os salários dos funcionários prejudicados pela reestruturação é uma péssima notícia para milhares de funcionários. “Considerando que mais de 2.100 estão hoje sem realocação em novo cargo, aquela fala inicial do banco de que ‘tudo vai dar certo no final’ não se confirmou. Por isso mesmo, entendemos que seria necessária a prorrogação da VCP enquanto ainda houver funcionários sem realocação e sem oportunidade em novo cargo. Lamentamos que a alternativa restante sobre prorrogação de VCP e desconto do dia 28 seja por via judicial quando, ao longo da nossa história, construímos um produtivo processo de negociação”, afirmou.

Nova audiência de mediação no Ministério Público do Trabalho está agendada para 9 de junho, no MPT em Brasília.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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